A ″caça″ da ultradireita na Alemanha | Notícias sobre política, economia e sociedade da Alemanha | DW | 08.09.2021

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Coluna Alemanha vota

A "caça" da ultradireita na Alemanha

Ela se faz de vítima, mas ataca. Xinga a "imprensa da mentira", mas publica fake news. A populista AfD faz parte da Alemanha, assim como os problemas que instrumentaliza. Mas seu auge político parece ter passado.

Cartaz azul, com seta ascendente vermelha, escrito AfD

Estratégia polícia agressiva tem valido altos e baixos eleitorais para Alternativa para a Alemanha

Que força têm os ultradireitistas na Alemanha? Diante do pleito legislativo de 26 de setembro, grassa o medo de um sucesso eleitoral do partido populista de direita Alternativa para a Alemanha (AfD), que tem fama de quebrador de tabus e radicalismo político.

E que coloca a Alemanha diante do espelho. Pois a sigla e seus adeptos arranham a fachada de um país europeu que se pensa cosmopolita, liberal e inovador, mostrando que uma parcela não negligenciável da população defende valores e reivindicações que não combinam com essa imagem.

Sim, na Alemanha há cidadãos que não querem receber refugiados de regiões de crise e guerra. Há os que negam e minimizam o coronavírus. E há quem ache que o país deveria abandonar o euro, a moeda comum europeia, como exige a AfD em seu programa partidário.

De mãos dadas com Bolsonaro

E, claro, na Alemanha também há seguidores de Donald Trump e Jair Bolsonaro. O encontro entre a vice-presidente da AfD, Beatrix von Storch, e o presidente do Brasil, em julho, mostra até que ponto avançou a rede internacional de conexões dos ultradireitistas.

E mostra também que a ultradireita alemã está contente com o respaldo de Brasília. A ambígua estratégia de radicalização e minimização da AfD vinga em muitos locais e repetidamente. Também no Brasil.

Na Alemanha, a AfD experimenta altos e baixos com essa estratégia. Ainda nas eleições estaduais da Saxônia-Anhalt, em 6 de junho, calculara-se que obteria 25% dos votos. Na realidade, teve um desempenho considerável, mas seus 20% ainda estiveram bem abaixo dos 37% da conservadora União Democrata Cristã (CDU), de Angela Merkel.

Nas pesquisas de intenção de voto para o próximo pleito legislativo, a AfD emplaca entre 11% e 12%, estando em quinto lugar na preferência do eleitorado, antecedida pelo Partido Social-Democrata (SPD), a CDU, o Partido Verde e o Partido Liberal Democrático (FDP).

As cifras mais para modestas no nível federal se devem, entre outras razões, às numerosas disputas internas de orientação na AfD, já que a luta de poder com a ala extremista Der Flügel – formalmente dissolvida em 2020, mas ainda existente como rede – prejudicou o partido.

Continua a "caça" da AfD?

Então o medo da AfD é injustificado? Ela está condenada a uma existência pífia, na margem extrema da direita, como desejam muitos de seus opositores? Provavelmente não. Pois, com seus temas, o partido segue muitas vezes definindo a agenda política.

Por exemplo, no que diz respeito aos refugiados: desde o ataque a facadas de um afegão contra uma mulher, no último domingo (05/09), em Berlim, o assunto está novamente presente na esfera pública. Segundo pesquisas da revista Der Spiegel, o jovem de 29 anos chegara na Alemanha em 2015, sendo deportado no ano seguinte. Após uma breve proibição de ingresso, retornou ao país, voltou a requerer asilo e em outubro de 2017 foi reconhecido como refugiado.

"Há anos a AfD adverte contra a importação de refugiados criminosos para a Alemanha", escreveu no Twitter o deputado Stephan Protschka, do partido, queixando-se: "O ingresso de delinquentes de culturas de cunho arcaico é um fato pelo qual somos diariamente tachados de racistas."

É significativa essa frase. Pois a AfD, no seu discurso político, não foca nas vítimas ou em soluções, mas vê a si própria como "vítima". Alegando combater a "imprensa da mentira" e o "sistema Merkel", ela se vê como único partido de oposição que é discriminado por levantar pautas polêmicas.

Sua estratégia foi e é bem-sucedida: desde 2017 ela está representada no parlamento federal (Bundestag) com 91 assentos (12,6%). Desse modo, se beneficia do mesmo Estado democrático de direito que repetidamente ataca.

Quando chegou ao Bundestag, seu então porta-voz e atual presidente honorário Alexander Gauland definiu a estratégia de seu trabalho de oposição: "Nós vamos caçá-los. Vamos caçar a Sra. Merkel e quem quer que seja, e vamos tomar de volta o nosso país e o nosso povo."

Essa "caça" terá chegado ao fim, depois de quatro anos no parlamento? Nas eleições de 26 de setembro se verá quem caça quem. Só uma coisa é certa: a AfD também estará representada no próximo Bundestag. Pois o partido faz parte da Alemanha, da mesma forma que os problemas que ele instrumentaliza politicamente.

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