800 ″noivas jihadistas″ detidas em campos na Síria | Notícias internacionais e análises | DW | 10.02.2018
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"Estado Islâmico"

800 "noivas jihadistas" detidas em campos na Síria

Poucas ocidentais atraídas ao Oriente Médio pela campanha do "Estado Islâmico" foram recrutadas como combatentes: a maioria casou-se e teve filhos com jihadistas. Agora gostariam de retornar, mas seus países as rejeitam.

As crianças não cometeram nenhum crime, lembra especialista em terrorismo

"As crianças não cometeram nenhum crime", lembra especialista em terrorismo

Centenas de mulheres estrangeiras que se associaram ao grupo terrorista "Estado Islâmico" (EI) foram capturadas no norte da Síria, nos últimos meses, por forças curdas apoiadas pelos Estados Unidos, noticiou o jornal alemão Die Welt  neste sábado (10/02).

Nadim Houry, diretor do programa antiterrorismo na ONG Human Rights Watch, relatou ao periódico que "cerca de 800 mulheres do EI", com seus filhos, estão sendo mantidas em quatro grandes sítios de detenção.

Incluindo 15 originárias da Alemanha, elas vêm de 40 países, entre os quais Austrália, Canadá, França, Iêmen, Reino Unido, Tunísia e Turquia. As assim chamadas "noivas jihadistas" dispõem de um certo grau de liberdade, mas não podem deixar os campos, para serem mantidas longe dos combatentes do EI capturados.

"Espancadas e humilhadas"

Relatórios anteriores revelaram que centenas de mulheres ocidentais viajaram para o Oriente Médio, a fim de se juntar ao EI, desde 2014, quando o grupo extremista declarou seu "califado" na Síria e no Iraque, já então devastados por conflitos armados. Algumas foram recrutadas como guerrilheiras, porém a maioria se casou com militantes do EI, passando a viver isolada e em condições deploráveis.

Como revelaram em entrevistas a Houry, contudo, também nos campos de detenção muitas têm sido "espancadas e humilhadas" em interrogatórios, e forçadas a viver em condições anti-higiênicas, com seus bebês. Segundo o especialista em terrorismo, a maioria deseja agora retornar aos países de origem, mesmo que isso implique encarar processos criminais.

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"Essas mulheres estão numa situação muito difícil. Para as criancinhas, em especial, as circunstâncias não são nada boas", reconheceu. Apelando aos respectivos governos europeus, ele afirmou que "algumas querem pelo menos mandar as crianças para casa".

"As crianças não cometeram nenhum crime, elas são vítimas da guerra e, muitas vezes, de seus genitores radicalizados." Houry acrescentou que as autoridades curdas têm pouco interesse em processar as mulheres, preferindo entregá-las a suas nações de origem.

Volta dos "guerreiros estrangeiros"

No entanto as autoridades curdas têm enfrentado grande resistência à repatriação das mulheres, por parte de países como Bélgica, França e Reino Unido. No momento seus governos enfrentam o retorno de milhares de "foreign fighters" masculinos, ou aprisionados na Síria e no Iraque ou que escaparam do conflito, à medida que o EI perdeu terreno, nos últimos dois anos.

Paris, por exemplo, apelou para que os jihadistas franceses capturados naqueles países árabes sejam julgados lá, se for possível garantir-lhes um processo justo. No primeiro caso envolvendo uma cidadã europeia, em janeiro um tribunal iraquiano condenou uma alemã à forca, por integrar o EI.

No fim de 2017, o governo em Bagdá declarou-se vitorioso na luta contra o "Estado Islâmico". No auge de sua campanha de guerra, os fundamentalistas chegaram a ocupar um terço do território iraquiano e quase a metade do sírio. Porém desde que perdeu sua "capital", Raqqa, em outubro, o EI controla apenas uns poucos enclaves na Síria, a maior parte na zona fronteiriça com o Iraque.

AV/dw,dpa,ots

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