Árabes advertem EUA sobre levar embaixada para Jerusalém | Notícias internacionais e análises | DW | 03.12.2017
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Mundo

Árabes advertem EUA sobre levar embaixada para Jerusalém

Status da cidade sempre foi ponto de conflito nas negociações de paz. Transferência da missão diplomática teria efeito de reconhecer área como capital de Israel.

A Liga Árabe e os palestinos estão advertindo os EUA contra uma possível mudança da embaixada do país em Israel de Tel Aviv para Jerusalém. Segundo eles, tal movimento pode sabotar futuras negociações de paz e ainda desencadear uma nova onda de violência na região.

Os avisos ocorrem enquanto o presidente dos EUA, Donald Trump, analisa a mudança, que equivaleria a um reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel, apesar das reivindicações palestinas pela posse do setor oriental da cidade. Há especulações de que a mudança de posição americana poderia ocorrer já na próxima semana.

"Nós avisamos os americanos de que, se o governo deles de fato fizer essa mudança, que reconheceria uma Jerusalém unificada como a capital de Israel, este seria um passo para acabar com qualquer chance de um processo de paz", disse neste domingo (03/12) Naabil Shaath, um assessor do presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas.

Abbas está tentando reunir um grupo para fazer oposição internacional a tal mudança. O secretário-geral da Liga Árabe, Ahmed Aboul Gheit, já ecoou as advertências do líder palestino. "Nós afirmamos muito claramente que tal decisão não tem justificativa. Não servirá à paz ou à estabilidade. Só vai alimentar o extremismo e a violência", disse Gheit. "Isso só beneficia um lado: o governo israelense, que é hostil à paz", acrescentou.

"Destruição do processo de paz"

Outro conselheiro de Abbas, Mahmoud Habash, também advertiu que uma ação de Trump nesse sentido equivaleria a uma "completa destruição do processo de paz".  Falando ao lado de Abbas, Habash disse que "o mundo pagará o preço" por qualquer mudança no status de Jerusalém.

Funcionários da Casa Branca afirmaram que Trump também está considerando reconhecer Jerusalém como a capital de Israel sem realmente mudar a embaixada dos EUA para a cidade. Essa foi uma de suas promessas de campanha. A medida pode reverter toda a política americana das últimas décadas. 

Neste domingo, o assessor e genro de Trump, Jared Kushner, disse que o presidente ainda não tomou uma decisão final. "Ele ainda está analisando muitos fatos diferentes. Quando ele toma uma decisão, é ele que diz qual foi, não eu", disse.

Israel considera Jerusalém como sua capital e anexou o setor oriental da cidade em 1967, mas a maior parte do mundo evitou reconhecer a iniciativa dos israelenses, considerando que o status da área deve ser solucionado em negociações de paz com os palestinos.

O Hamas, o grupo terrorista palestino que controla a Faixa de Gaza, também alertou para o início de uma intifada (revolta) se os EUA reconhecerem Jerusalém como a capital de Israel.

O status de Jerusalém tem sido um obstáculo fundamental em quase todas as negociações de paz que já foram travadas entre palestinos e israelenses. Os dois lados divergem particularmente sobre a soberania e a supervisão de locais sagrados.

A última intifada palestina ocorreu em 2000, depois que o ex-primeiro-ministro israelense Ariel Sharon, à época líder da oposição, visitou a mesquita Al-Aqsa, em Jerusalém Oriental. A violência provocada pela revolta resultou na morte de 3.000 palestinos e mil israelenses.

JPS/rtr/dpa

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