Vandalização de igreja católica na Guiné-Bissau gera inquietação | NOTÍCIAS | DW | 04.07.2022

Conheça a nova DW

Dê uma vista de olhos exclusiva à versão beta da nova página da DW. Com a sua opinião pode ajudar-nos a melhorar ainda mais a oferta da DW.

  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

NOTÍCIAS

Vandalização de igreja católica na Guiné-Bissau gera inquietação

Continuam por apurar as circunstâncias do ataque a uma igreja católica no leste da Guiné-Bissau. É o primeiro ataque do género e está a inquietar a sociedade. O Presidente Sissoco não está a dar importância ao sucedido.

Igreja de Santa Isabel, em Gabú, pertencente à Diocese de Bafatá

Igreja de Santa Isabel, em Gabú, pertencente à Diocese de Bafatá

É um caso inédito na Guiné-Bissau e está a chocar a sociedade, desde que foi denunciado e desde que foram postas a circular, nas redes sociais, imagens da igreja vandalizada.

Tudo aconteceu na noite da passada sexta-feira (01.07), na cidade de Gabú, leste da Guiné-Bissau, a cerca de 200 quilómetros da capital guineense, quando um grupo de desconhecidos atacou e vandalizou a Paróquia Santa Isabel.

"Quase tudo destruído"

Os vândalos destruíram quase tudo no interior da igreja, desde o altar, a Cruz Peregrina e até a imagem de "Nossa Senhora", que para os cristãos é sagrada. Alguns objetos foram destruídos e deixados no exterior da paróquia.

O padre Paulo de Pina Araújo, da Diocese de Bafatá, que alberga a Paróquia Santa Isabel, não tem dúvidas sobre o sucedido: "Essa pessoa [que fez o ataque], acho que foi motivada por um tipo de ódio. Agora, não sabemos se um ódio religioso ou de caráter político, não sabemos a razão, mas é um ódio que levou a pessoa a fazer isso, porque não roubou e não tirou nada da igreja para si."

No interior da igreja de Santa Isabel, em Gabú, praticamente nada escapou à ira dos atacantes

No interior da igreja de Santa Isabel, em Gabú, praticamente nada escapou à ira dos atacantes

Primeiro ataque do género no país

Em Gabú e em toda a Guiné-Bissau não há registo de um conflito inter-religioso nem de ataques a qualquer lugar de culto. A laicidade do Estado guineense e a existência de mais de duas dezenas de etnias no país foram sempre motivo de elogios por líderes religiosos, tendo em conta a "boa convivência" que se regista entre os cidadãos.

Em reação à vandalização da Paróquia Santa Isabel, de Gabú, o Presidente da República, Umaro Sissoco Embaló, desvalorizou o sucedido, em declarações aos jornalistas, no Aeroporto Internacional Osvaldo Vieira, após a sua chegada do Gana, onde participou, este fim-de-semana, na Cimeira dos Chefes de Estados da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO).

"Quantas vezes as mesquitas foram roubadas aqui? Se a igreja foi roubada têm que deixar a Polícia fazer o seu trabalho. Se a igreja foi vandalizada é coisa do outro mundo? Quantas vezes roubaram relógios [de parede], ventoinhas ou aparelhos de ar condicionado em mesquitas? As pessoas têm que parar com tretas, até no Vaticano e em Meca as pessoas roubam, será que é coisa de outro mundo?", declarou o líder guineense.

O Presidente Umaro Sissoco Embaló desvalorizou o ataque

O Presidente Umaro Sissoco Embaló desvalorizou o ataque

Apelos a investigação exaustiva

Neste momento, multiplicam-se os apelos à investigação das autoridades policiais. O pedido foi reforçado à DW África pelo presidente da Confederação da Juventude Islâmica (CNJI-GB), Hamza Seidi, que fala num ato de terror.

"Enquanto Confederação Nacional da Juventude Islâmica da Guiné-Bissau, condenamos com toda a veemência [este o ato], porque nada justifica [o ataque]. A Guiné-Bissau é um país laico e não podemos permitir que um ato do gênero aconteça neste país. Por isso, exigimos às autoridades competentes que investiguem e responsabilizem as pessoas envolvidas neste ato que consideramos de terror", sublinhou.

As informações sobre os responsáveis do ataque à igreja são escassas, mas a DW sabe que a Polícia Judiciária (PJ) já está a investigar o caso.

Apesar da vandalização, a igreja atacada celebrou a missa normalmente, este domingo, sem vários dos seus objetos que foram destruidos.

Divisão étnica e religiosa? Bispo lembra aos guineenses que são membros da mesma família

Leia mais