Urnas abertas para presidenciais na Costa do Marfim
25 de outubro de 2025
As urnas abriram na Costa do Marfim no sábado para eleger um novo líder, enquanto o veterano presidente Alassane Ouattara busca um quarto mandato após importantes concorrentes terem sido impedidos de concorrer.
As mesas de voto abriram pouco depois das 8h00 (Tempo Universal Coordenado - UTC), após atrasos iniciais. Cerca de 8,7 milhões de pessoas estavam registadas para votar. A afluência às urnas tem estado ligeiramente acima de 50% nas duas últimas eleições.
A eleição é o mais recente exemplo de homens envelhecidos que continuam a manter o poder em África, continente que possui a população mais jovem do mundo. Paul Biya, dos Camarões, com 92 anos, Yoweri Museveni, do Uganda, com 81, e Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, da Guiné Equatorial, com 83, são alguns dos outros líderes africanos mais velhos ainda no poder.
Cinco candidatos disputam o cargo mais alto da Costa do Marfim, mas muitos esperam que Ouattara, líder de 83 anos do maior produtor mundial de cacau, mantenha o seu posto. Se vencer, prolongará o seu governo para quase duas décadas. O partido de Ouattara, a União dos Houphouëtistas pela Democracia e a Paz (RHDP), detém também a maioria dos assentos no parlamento, com 169 de 255 lugares.
Ouattara
Ouattara supervisionou a reconstrução económica do país desde a guerra civil, alcançando uma taxa de crescimento anual de 6%, impulsionada pelo boom do cacau. Contudo, 37,5% dos 30 milhões de habitantes do país ainda vivem na pobreza e há escassez de empregos para os jovens.
A preparação para a eleição foi marcada por protestos contra a exclusão de candidatos importantes que poderiam desafiar a ambição de Ouattara. A lista final de candidatos registados não incluiu Tidjane Thiam, ex-executivo do Credit Suisse, nem Laurent Gbagbo, antigo candidato que ainda mantém o apoio de uma larga parte do eleitorado.
Os apoiantes destes candidatos saíram às ruas, com várias centenas de pessoas detidas e dezenas presas. Isto reacendeu o fantasma das crises eleitorais passadas, que causaram pelo menos 3 mil mortos entre 2010 e 2011 e quase 100 em 2020.
O governo também restringiu as reuniões públicas, excepto para os cinco partidos em competição, e mobilizou mais de 40 mil agentes de segurança em todo o país. Ouattara negou qualquer repressão à oposição.
Ouattara atraiu menos atenção da comunidade internacional e do seu parceiro de longa data eex-poder colonial, a França.
"O contexto geopolítico é favorável a ele”, disse Séverin Yao Kouamé, professor de investigação na Universidade de Bouaké. Kouamé afirmou que a comunidade internacional e a França têm actualmente outras prioridades.
Os candidatos
Quatro candidatos desafiam Ouattara, incluindo Simone Gbagbo, ex-primeira-dama, e Jean-Louis Billion, ex-ministro do Comércio no governo de Ouattara. Todos prometeram empregos e novas políticas agrícolas.
Analistas dizem que nenhum dos outros quatro candidatos tem uma forte hipótese de vencer.
No seu comício final em Abidjan, na quinta-feira, Ouattara disse aos seus apoiantes: "O crescimento tem sido enorme, mas precisamos de continuar.”
Ex-diretor-adjunto do Fundo Monetário Internacional, o investimento de Ouattara no sector público e na infraestrutura conquistou o apoio dos seus seguidores.
A contagem de votos começará imediatamente após o encerramento das urnas, com resultados provisórios esperados em até 48 horas.