Ucrânia: ONU preocupada com maior crise humanitária desde a II Guerra Mundial | Internacional – Alemanha, Europa, África | DW | 02.04.2022

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Internacional

Ucrânia: ONU preocupada com maior crise humanitária desde a II Guerra Mundial

O porta-voz do Escritório da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários na Ucrânia criticou os beligerantes de não permitirem ajuda aos civis, na maior crise humanitária de origem militar desde a II Guerra Mundial.

Em declarações à Lusa, Saviano Abreu explicou que a "situação é desesperadora” e o grande problema, explicou, é o acesso às zonas de conflito e a "áreas do país que estão completamente isoladas”.

"Nunca tínhamos visto um conflito com este impacto e que tivesse crescido de forma tão rápida desde a Segunda Guerra Mundial. Nada de nada parecido”, disse Saviano Abreu.

Até ao momento, "não temos o acordo com as partes envolvidas neste conflito para entrar, para prestar ajuda humanitária às pessoas que precisam disso e isso está dificultando muito o nosso trabalho aqui”, disse, dando o exemplo da cidade sitiada de Mariupol, onde se assistem a combates violentos nas ruas e há registos de milhares de civis em situação de carência extrema.

"Estamos a tentar chegar às pessoas que estão aí isoladas e precisando da ajuda humanitária, mas, infelizmente, todas as nossas tentativas de conseguir negociar um acesso a essa área não tiveram efeito ainda”, disse, admitindo que se trata de uma "situação preocupante: tememos pela vida dessas pessoas que estão aí, que precisam de comida, que precisam de água, estão enfrentando um frio enorme”, sem "eletricidade para se aquecer”, naquilo que "é o mais básico para sobreviver”.

Ukraine-Konflikt | Mehr als eine Million ukrainische Kinder in Nachbarländer geflüchtet

"É um direito de cada pessoa poder buscar a sua segurança", Saviano Abreu

Trabalho com segurança

Para uma equipa de apoio humanitário ir a um local, são necessárias garantias de que "vai ser protegida, não vai ter nenhum tipo de ataque” e pode fazer o "trabalho com segurança”, permitindo ainda garantias aos civis que queiram sair, como estabelece a legislação internacional de que os dois países são parte.

"É um direito de cada pessoa poder buscar a sua segurança e sabemos de muitas situações em que as pessoas são impedidas de sair das áreas de conflito”, salientou Saviano Abreu.

"Nas últimas semanas, fizemos várias tentativas de acordos para conseguir chegar a Mariupol” e "nenhuma dessas tentativas, infelizmente, surtiu nenhum efeito e não chegámos a nenhum acordo”, afirmou Saviano Abreu, que comentou o anúncio da abertura de corredores humanitários para sexta-feira pelas duas partes, que vieram a ser suspensos.

"Infelizmente, os anúncios que vimos nos últimos dias não envolve nenhuma operação das Nações Unidas. Não estivemos envolvidos e não fomos informados com antecedência”, disse.

Mas se existir uma "janela de oportunidade que podemos ir e que podemos entrar com ajuda humanitária ou participar na evacuação de forma voluntária, de forma segura, das pessoas que ai estão, então faremos”.

Infografik Flüchtlingsbewegungen Ukraine (Stand: 1.04.22) PT

Sete milhões de deslocados internos

O porta-voz do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários na Ucrânia afirmou ainda que 11 milhões de pessoas tiveram de sair de casa por causa da guerra e metade da população perdeu o emprego.

“Nós estamos no meio de uma crise. Desde a invasão, em cinco semanas, tivemos 25 por cento da população que teve de se deslocar da sua casa e procurar refúgio e segurança noutras partes do país ou fora de fronteiras”, afirmou, em entrevista à Agência Lusa, Saviano Abreu.

A ONU estima que sete milhões de ucranianos são hoje deslocados internos por causa da guerra, um número que aumenta se forem contabilizados os que fugiram para o exterior (quatro milhões).

Saviano Abreu estima que, dentro em breve, a ONU terá de dar apoio direto de ajuda humanitária a 1,4 milhões de pessoas. “Estamos falando de água, de comida, de serviço, de proteção, de educação, das coisas mais básicas, como um cobertor, uma manta para as pessoas que precisam”, explicou.

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