UA reconhece resultados definitivos das presidenciais do Burundi | Internacional – Alemanha, Europa, África | DW | 08.06.2020
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Internacional

UA reconhece resultados definitivos das presidenciais do Burundi

A União Africana felicitou Evariste Ndayishimiye pela sua vitória nas eleições presidenciais de 20 de maio e apelou para um diálogo entre os intervenientes políticos e sociais de maneira a superar os desafios do país.  

Evariste Ndayishimiye, Presidente eleito do Burundi

Evariste Ndayishimiye, Presidente eleito do Burundi

O presidente da Comissão da União Africana (UA), Moussa Faki Mahamat, disse ter tomado nota, em 4 de junho, da publicação dos resultados definitivos das eleições presidenciais de 20 de maio no Burundi.

Num comunicado a que a DW África teve acesso esta segunda-feira (08.06), Faki Mahamat deseja ao Presidente eleito, Evariste Ndayishimiye, "o maior sucesso no exercício das suas novas responsabilidades".

Entretanto, deixou um apelo aos intervenientes políticos e sociais do Burundi para "dialogar e enfrentar, com espírito de tolerância e levando em consideração os melhores interesses da nação, os desafios que o país enfrenta".

Ao reafirmar a solidariedade da UA com o povo do Burundi, Moussa Faki Mahamat expressou a sua "vontade de trabalhar com as novas autoridades numa nova era de cooperação frutífera" na "legítima busca de paz, segurança, estabilidade, democracia e prosperidade".  

Eleições sem irregularidades

O Tribunal Constitucional do Burundi confirmou na quinta-feira passada (04.06) os resultados das eleições presidenciais de maio e rejeitou as queixas apresentadas pelo líder da oposição, Agathon Rwasa, que tinha alegado irregularidades generalizadas no escrutínio. À saída do tribunal, no dia em que apresentou a queixa, Rwasa disse que os cadernos eleitorais nunca tinham sido publicados.

O líder do Congresso Nacional para a Liberdade (CNL) e o seu partido chegaram a classificar os primeiros resultados como uma "fantasia" e a acusar as autoridades de prenderem os seus agentes, impedindo-os de observar a votação e participar na contagem.

Contudo, o Tribunal considerou a queixa infundada e disse que quaisquer irregularidades não poderiam manchar todo o processo eleitoral naquela nação da África Oriental. Confirmou, assim, a vitória do candidato do partido no poder, Evariste Ndayishimiye, do Conselho Nacional para a Defesa da Democracia (CNDD-FDD), com 68% dos votos, tendo Rwasa recebido 28%. 

"Líder supremo" nos bastidores

Evariste Ndayishimiye, de 52 anos, sucederá ao Presidente Pierre Nkurunziza, que se encontra no poder desde 2005. Nkurunziza terá o título de "líder supremo" depois de deixar o poder, e muitos acreditam que vai exercer uma influência considerável nos bastidores. 

Pierre Nkurunziza liderou o pequeno país da África Oriental com um autoritarismo crescente desde o fim da guerra civil (1993-2005), que colocou os hutus (85% da população) contra os tutsis e causou cerca de 300 mil mortes.  

O sucessor de Nkurunziza deverá tomar posse em agosto para um mandato de sete anos, renovável por uma vez. O partido governamental CNDD-FDD ganhou também as eleições legislativas que se realizaram no mesmo dia, ao conquistar 72 dos 100 assentos no Parlamento. 

Crise política

O país vive uma grave crise política desde as últimas eleições, em 2015, da qual já resultaram pelo menos 1.200 mortos e mais de 400 mil refugiados. Estes acontecimentos são alvo de uma investigação do Tribunal Penal Internacional (TPI), em Haia, na Holanda. 

A violência desencadeada pela contestação ao terceiro mandato de Pierre Nkurunziza, considerado inconstitucional pela oposição, fez ressurgir o espetro da guerra civil. 

O chefe de Estado cessante surpreendeu ao anunciar, em junho de 2018, que não se recandidataria, apesar de a nova Constituição, aprovada por referendo nesse mesmo ano, permitir-lhe ficar no cargo até 2034. 

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