″Temos um Zaire faminto″, gritam jovens contra má governação | Angola | DW | 27.11.2021

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Angola

"Temos um Zaire faminto", gritam jovens contra má governação

A juventude da província angolana do Zaire foi às ruas exigir mais transparência e ações efetivas do governo local para melhorar as infraestruturas e combater o desemprego. Manifestação decorreu de forma pacífica.

Protesto contra o governo local na província angolana do Zaire

Jovens disseram "basta" à falta de atenção do governo local aos problemas da província

A falta de atenção e o silêncio do Executivo angolano sobre a situação na província angolana do Zaire levou centenas de jovens às ruas este sábado (27.11) num protesto contra o Governo.

A carência de infraestruturas condignas, como obras não concluídas e paralisadas há muitos anos, bem como a falta de emprego para a juventude, são tidos como os principais problemas que afetam a população daquela província.

Protesto da juventude no Zaire

Jovens do Zaire dizem estar cansados de injustiças

Muitos dos cartazes carregados pelas centenas de jovens diziam: "O povo do Zaire diz basta às injustiças. Estamos cansados de ver obras inacabadas. Ninguém se alimenta de promessas".

Um dos líderes da manifestação, António Castelo, destacou o não retorno dos lucros da exploração do petróleo, bem como a falta de proatividade e transparência por parte do governo local.

"Na nossa província, a maior contribuinte das receitas nacionais, pesquisas dão conta de que a atividade da extração do petróleo terá começado nas décadas de 1970 a 1980, mas os lucros desta produção não se refletem na vida dos populares", afirmou.

Governo local ausente

Os jovens exigem também que o governo local esteja à altura dos desafios atuais, sendo mais proativo e transparente, e que os manifestantes não sejam reprimidos, incluindo aqueles que atuam no setor público.

Protesto no Zaire

Manifestação da capital da província do Zaire foi pacífica

"Não se pode misturar as coisas. Nós nos manifestamos como cidadãos e não como funcionários públicos. Não podemos ser perseguidos. Basta de injustiças", disse António Castelo. 

Pedro Nkiankanu, outro manifestante, afirmou que o Zaire foi deixado à sua sorte. "Temos um Zaire onde falta de tudo, de infrastruturas condignas, de aeroporto. Temos um Zaire onde a maior parte juventude é desempregada. Temos um Zaire faminto", sublinhou.

Augusto José, também participante da manifestação, disse que a província só existe pelo nome. "O Zaire que nós temos hoje é lamentável. Há um índice elevado de criminalidade. O MPLA [partido no poder] tem de rever a sua postura. Nós queremos um Zaire com dignidade", disse.

Mabuidi Coxe, porta-voz do ato, fez um balanço positivo da atividade e elogiou a atuação da Polícia Nacional. "O balanço é positivo, apesar de algumas situações comportamentais que violaram as regras. Marchamos de forma pacífica, exibimos cartazes de forma pacífica e não houve violência", disse.

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