Sofala: Vítimas do ciclone Idai reclamam subsídios | Moçambique | DW | 27.08.2020
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Moçambique

Sofala: Vítimas do ciclone Idai reclamam subsídios

Pagamento que já estava atrasado voltou a não ser feito. Famílias que ficaram fora da lista de beneficiários questionam transparência do processo. Governador interveio para acalmar os ânimos, mas não convenceu.

Na província de Sofala, centro de Moçambique, o pagamento de subsídios de 7.500 quinhentos meticais (o equivalente a cerca de noventa euros) para cada família atingida pelo ciclone Idai deveria ter iniciado na terça-feira (25.08), mas está atrasado. O montante é referente a três meses de assistência acumulados.

Muitos dos atingidos pelo ciclone Idai acham que o critério usado para a seleção dos beneficiados não foi transparente. Alguns defendem que o benefício deveria ser universal porque o ciclone afetou toda a gente.

Por conta disso, vários protestaram na quarta e quinta-feira (27.08) em frente ao edifício do Governo provincial e diante da residência oficial do Governador de Sofala para exigir transparência no pagamento de subsídios às famílias vulneráveis que perderam bens por conta do ciclone Idai.

"Desde o ano passado, não estamos a receber nada, não estamos a receber apoio. Por exemplo, na minha casa, sofremos muito", realçou uma moradora do nono bairro da cidade.

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Governador de Sofala interveio para acalmar os ânimos

Apelo à transparência

O ciclone Idai atingiu a região centro de Moçambique em março de 2019. Após o desastre, o Governo moçambicano, através do Instituto Nacional de Ação Social (INAS), prometeu dar assistência às famílias gravemente afetadas, ao que sucedeu a seleção e inscrição de famílias beneficiárias.

Mas muitas pessoas dizem ter sido excluídas do process: "Estamos necessitados deste dinheiro. O ciclone Idai atingiu Sofala inteira. Então, nós todos estamos necessitados", afirmou outra cidadã, que liderou um grupo de manifestantes que se aglomeram em frente à sede do Governo Provincial de Sofala esta quinta-feira.

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Autoridades prometem averiguar situação

O governador de Sofala, Lourenço Bulha, interveio, prometendo averiguar o caso: "Vamos ficar calmos. O dinheiro está guardado. Vamos tirar os nomes de todos vocês aqui. E eu não estou a listar, isso tem que ficar claro. Eu só quero ir confirmar se os vossos nomes estão lá ou não", disse.

Devido aos tumultos, a polícia mobilizou-se nesta quinta-feira para conter os ânimos dos manifestantes. Mais tarde, o processo de pagamento foi interrompido para mais organização, garantiu Abdul Razak, delegado provincial do Instituto Nacional de Ação Social.

"Infelizmente, estamos a ver que o processo está a correr com alguma conturbação porque a própria população não está a colaborar. Há alguns que estão aqui - não poucos, muitos até - que não foram inscritos na comunicação do arranque do pagamento. A secretária de Estado chamou a atenção para que se fizessem aos postos de pagamento apenas aqueles que foram inscritos e, infelizmente, não é o que estamos a assistir", explicou.

"Então, achamos por bem paralisar a atividade e internamente vamos discutir melhores estratégias de fazer chegar o dinheiro a cada beneficiário inscrito", continuou Razak. "Precisaremos de internamente definir como é que avançamos, se é em grupos menores, quanto tempo precisamos, tudo isso ainda vamos definir e nos próximos tempos tornaremos público", garantiu.

32 mil famílias estão inscritas na Beira para receber o benefício.

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