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PolíticaMadagáscar

Presidente interino de Madagáscar demite governo

11 de março de 2026

O presidente interino de Madagáscar, Michael Randrianirina, demitiu o primeiro-ministro e dissolveu o Governo, sem qualquer explicação sobre o motivo. Disse apenas que um novo primeiro-ministro seria nomeado "em breve".

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Michael Randrianirina foi recebido pelo Presidente francês, Emmanuel Macron, no Palácio do Eliseu, em Paris, em 24 de fevereiro deste ano
Michael Randrianirina visitou o Palácio do Eliseu, em Paris, no mês passado, onde se encontrou com Emmanuel MacronFoto: Firas Abdullah/ABACA/picture alliance

O líder militar de Madagáscar demitiu o primeiro-ministro e dissolveu o governo, apenas cinco meses após tomar o poder, apoiado por protestos liderados por jovens contra o antigo governo em Antananarivo.

O coronel Michael Randrianirina escolheu um empresário do setor privado, Herintsalama Rajaonarivelo, como primeiro-ministro depois da fuga do ex-presidente Andry Rajoelina em outubro passado.

Um porta-voz presidencial disse um comunicado que Randrianirina "anuncia que, de acordo com as disposições da Constituição, o governo está suspenso de suas funções."

Foi também anunciado que um novo primeiro-ministro seria nomeado "em breve", sem fornecer uma data nem explicar o motivo para as demissões.

O gabinete agora demitido era composto por ministros civis, alguns oficiais militares e alguns críticos de Rajoelina, que tinha tomado posse recentemente, em 28 de outubro de 2025.

Líder militar promete presidenciais em 2027

O coronel Randrianirina chegou ao poder após manifestações que começaram em setembro passado em resposta à escassez de água e energia, mas que rapidamente se transformaram em protestos antigovernamentais que o governo de Rajoelina tentou, sem sucesso, reprimir violentamente.

18 meses de golpes e tentativas de golpe na África Ocidental

O líder militar rejeita o termo "golpe" e usa o título de Presidente da Refundação da República. Randrianirina afirma que o Tribunal Constitucional lhe "transferiu o poder" e prometeu um período de transição de dois anos.

"Os principais objetivos do meu mandato, que terá uma duração máxima de dois anos, são encontrar soluções concretas para o povo", afirmou Randrianirina ao anunciar o novo governo.

Em fevereiro, anunciou um programa que prevê consultas sobre a reforma constitucional até 2026 e eleições presidenciais no último trimestre de 2027.

Viagens diplomáticas à Rússia e França

Estes anúncios internos coincidiram com esforços para entrar no cenário internacional em fevereiro, com visitas a Vladimir Putin na Rússia e a Emmanuel Macron na França, antiga potência colonial de Madagáscar.

Randrianirina saudou uma "nova era de cooperação" em Moscovo e uma parceria "renovada", mas "equilibrada" com Paris - a antipatia francesa foi um forte ponto focal dos protestos contra o governo anterior.

O anúncio da dissolução do governo na segunda-feira (09.03) também ocorreu poucas horas antes da reunião do Conselho de Paz e Segurança da União Africana, a quarta sobre Madagáscar desde a agitação de outubro.

Madagáscar passou por três golpes de Estado desde a sua independência da França em 1960: em 1972, 1975 e 2009.

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