Poderá África alcançar acesso universal à internet até 2030? | Internacional – Alemanha, Europa, África | DW | 17.11.2021

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Internacional

Poderá África alcançar acesso universal à internet até 2030?

África precisa de 86 mil milhões de euros para conectar cada cidadão à internet até 2030. Banco Mundial quer ajudar o continente a alcançar a conectividade universal, mas há grandes desafios pelo caminho.

Afrika Benin Schule Unterricht Schüler

Energia solar conectou escola à internet no Benin em 2019

Na comunidade agrícola de Yunyoo, no norte do Gana, Samuel Dagblo, um professor que trabalha também como agente de transferências de dinheiro por telemóvel está rodeado de clientes.

Esta zona rural só recentemente obteve acesso às redes de telemóveis, as vidas das pessoas estão a ser rapidamente transformadas pelo acesso à internet.

Anteriormente, as pessoas tinham de se contentar com sinais fracos de rede e, em alguns casos, precisavam de caminhar vários quilómetros apenas para fazer uma chamada telefónica.

Há algumas semanas, entretanto, autoridades e empresas de telecomunicações criaram infraestruturas para ligar a região através de uma rede de banda larga 4G.

"Agora, as coisas estão a ficar mais fáceis. O trabalho é concluído em no máximo um minuto com a pessoa, que pode ir embora", disse Dagblo à DW. "Ao contrário daqueles dias em que você poderia ficar cerca de 10 minutos com uma pessoa e, no final do processo, a rede poderia falhar e você teria de começar tudo de novo".

Um grupo de jovens da região senta-se debaixo de um cajueiro usando os seus telefones. Um deles, Musah Nangode, diz que está entusiasmado com a nova estrutura de conexão à Internet.

"Não tínhamos este privilégio que havia noutros distritos", diz Nangode, acrescentando que não podia fazer chamadas, fazer transações financeiras com telemóvel ou utilizar o WhatsApp e o Twitter.

"Nós estávamos excluídos, era um inferno", acrescenta.

Afrika Smartphone

África precisa de 86 mil milhões de euros para conectar cada cidadão à internet

Banda larga

O Gana foi um dos primeiros países africanos a regulamentar e liberar o mercado das telecomunicações em 1990. Dois anos mais tarde, a internet tornou-se acessível.

Atualmente, cerca de 70% das 30 milhões de pessoas do Gana são assinantes móveis, segundo a Autoridade Nacional de Comunicações.

Em 2004, o Gana decretou um programa de desenvolvimento acelerado da internet, que incluiu a instalação de infraestruturas de fibra ótica. O perito em Tecnologia da Informação, Amadu Samed Gaida, considera que a conectividade é crucial para capacitar a juventude africana.

"É aí que eles poderão aprender para além da imaginação", diz Gaida.

"É aí que os jovens vão poder aprender além da imaginação. Se os privarmos da intrernet, não estamos a dar-lhes poder. Podemos dar-lhes dinheiro, água, qualquercoisa, mas continuará a faltar o conhecimento para usar aquilo que lhes damos", reflete Gaida em entrevista à DW.

Internet Afrika | Whatsapp

No Uganda, acesso à internet é seguidamente bloqueado pelo Governo por questões políticas

Custo elevado

Enquanto países como o Gana, a Nigéria, a África do Sul e o Quénia apresentam taxas de penetração da internet impressionantes, o Sudão do Sul fica pelos 8% - uma das mais baixas do continente.

Além disso, a cobertura de rede móvel ainda é fraca na nação mais jovem do mundo. O número de ligações de telemóvel no Sudão do Sul era o equivalente a 20% da população, segundo dados de 2020 do datareportal.

"No Sudão do Sul, é muito difícil entrarmos em contato com os nossos familiares, porque temos internet mas não é rápida. É muito fraca, por isso é muito difícil. Em algumas partes do país, não há internet. Navegar leva tempo, às vezes ficamos frustrados e desiludidos", explica Ezbon Samuel, jornalista em Juba.

Nas últimas décadas, líderes africanos e parceiros locais e internacionais deram grandes passos para permitir o acesso à internet a 1,4 mil milhões de pessoas. Mas, com apenas 22% de conectividade, o continente continua muito atrás de outras regiões do planeta.

Especialistas em tecnologias de informação consideram que o custo dos dados é demasiado alto para a maioria das pessoas. Além disso, a falta de conhecimentos digitais e literacia continua a ser um grande obstáculo para muitos – especialmente nas zonas rurais.

Segundo estimativas do Banco Mundial, África vai precisar de um total de 86 mil milhões de euros para conectar cada cidadão à internet até 2030.

Aplicação camaronesa quer ser o WhatsApp de África

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