1. Ir para o conteúdo
  2. Ir para o menu principal
  3. Ver mais sites da DW
Estado de DireitoGuiné-Bissau

O que motiva movimento de regresso de Sissoco à Presidência?

12 de dezembro de 2025

Expandem-se para a diáspora iniciativas pró retorno do Presidente cessante à Presidência da Guiné-Bissau. O que explica um movimento que roça a Lei? Mentor em Portugal diz: "Nós não poderíamos pedir a uma outra pessoa".

https://p.dw.com/p/55Cgs
Rússia Moscovo 2025 | Umaro Sissoco Embaló num encontro com Vladimir Putin
Foto: Kristina Kormilitsyna/REUTERS

Em Lisboa, um grupo de cidadãos guineenses sai às ruas este sábado (13.12) em prol do regresso de Sissoco Embaló à Presidênca da Guiné-Bissau. A manifestação visa igaulmente reivindicar o retorno da ordem constitucional, após o aparente golpe de Estado de 26 de novembro. 

Movimento semelhante também foi lançado recentemente na Guiné-Bissau. Contudo, Sissoco Embaló era apenas Presidente cessante, pois o país estava a terminar um processo eleitoral quando supostamente foi tirado do poder pelos militares próximos a si.

A DW entrevistou José Balé, ex-candidato às eleições legislativas no círculo da diáspora Europa pela Plataforma Republicana, e mentor do Movimento pró-Sissoco em Portugal. 

DW: Como pedem o regresso de Sissoco para uma cargo que já não lhe cabe por lei? Ele era presidente cessante, o país estava numa processo eleitoral...

José Baldé (JB): Compreendemos muito bem que ele já tinha cessado o período do mandato. Nós não poderíamos pedir a uma outra pessoa que continuasse para poder acabar aquilo que se começou ou fazer as eleições livres e justas para se poder determinar concretamente quem poderá depois vencer essas eleições. Pelo facto de ser um presidente cessante não descarta que a pessoa que tem o seu mandato acabado continuasse para poder realizar eleições.

DW: E parece-lhe que se tratou, de facto, de um golpe de Estado? Vimos Sissoco com acesso ao telemóvel e a dar até entrevistas a órgãos de comunicação internacionais, o que levanta certas suspeitas...

JB: Nós todos ainda estamos em dúvidas. Imagina que se tratava de uma coisa que você não sabia se era ou não um golpe, mas lhe deram a entender pela sua segurança como Presidente que você deveria estar num sítio [mais seguro]. E se vê que tem acesso ao seu próprio telefone e tem tudo como deve ser, você não poderia imaginar que aquilo se tratava de um golpe. Essa é a minha lógica, não estou a dizer que foi que se passou, mas estou a a ver os factos. Porque até agora, como disse, estamos supreendidos, não sabemos o que aconteceu. 

Guiné-Bissau: Sissoco Embaló está "politicamente morto"

DW: Outra reivindicação vossa é a reposição da ordem constitucional. Mas a que ordem se refere o seu movimento, se no consulado de Sissoco Embaló a ordem constitucional já estava derrubada? O ex-governante fechou o Parlamento, por exemplo...

JB: Não tinha mandado derrubar o Parlamento, não sei como pode fazer uma pergunta dessas, não estou a perceber o que quer dizer com isso...

DW: Mandar derrubar é mandar encerrar as portas da Assembbleia Nacional, quando a Constituição da Guiné-Bissau prevê a existência e funcionamento de um Parlamento...

JB: Com certeza...

DW: Então, neste sentido, isso é um derrube. Quando se encerra a porta de um Parlamento sem motivos plausíveis é um derrube, não?

JB: Sim, derrube de um Parlamento sempre depende das ideias dos parlamentares, porque a palavra em si é a lei e as pessoas que executam a lei são outra coisa. Se o próprio Parlamento não está a fazer o seu papel para executar aquilo que o país precisa, ele já está a fazer à margem das leis daquelas pessoas que movimentam e comandam o Parlamento. Então, se o Parlamento está a virar de maneira a destruir o país, acho que o Presidente, em qualquer país, [faz] alguma coisa.

Guiné-Bissau à espera da decisão da CEDEAO

 DW: Divulgar os resultados eleitorais não seria a melhor forma de honrar a Constituição guineense e de garantir o respeito pela democracia, há muito beliscada, aos olhos da sociedade guineense?

JB: Super, esse era o desejo de todos. As entidades competentes dizem que não estão em condições de divulgar os resultados das eleições, aí nos questionamos: E amanhã, quem pode confiar nos resultados que podem ser alcançados? E outras entidades quiserem divulgar os resultados, a própria entidade responsável disse que não tinha condições, aí é que está a nossa dúvida. Entendo que se deveria continuar todo o processo. Não era pedir a um grupo de gente para vandalizar. Se isso fosse num país bem desenvolvido, imagina que os resultados saiam mesmo das sessões e províncias iam diretamente para a central, não era dentro de um computador ou dentro de malas ou urnas. Cada resultado seria inserido num setor central. Aí seria evidente que a gente vai recorrer para retirar todos os resultados. Agora, atas que as pessoas levam nas mãos e entregam-se uns aos outros, não sei se depois isso dignificaria a pessoa que ganhou. 

Radar DW: Como pôr fim a "tragédia guineense"?

 

Jornalista da DW Nádia Issufo
Nádia Issufo Jornalista da DW África
Saltar a secção Mais sobre este tema