Moçambique tem dinheiro para recrutar 4.000 novos polícias?
30 de setembro de 2025
O Fundo Monetário Internacional (FMI) tem estado a pressionar o Governo de Moçambique a baixar a massa salarial no Estado para diminuir o peso das despesas públicas.
No entanto, só para pagar os salários aos novos quadros serão necessários 500 mil euros por mês, de acordo com as contas feitas pelo economista e pesquisador Rui Mathe. "No entanto, o custo não é apenas o salário direto. É preciso somar a formação inicial. A Escola de Matalane, que já teve um orçamento anual de 5 milhões de meticais, terá de multiplicar recursos para acomodar milhares de novos formandos", destaca.
O Governo tem admitido dificuldades para pagar salários aos funcionários públicos. Assim, o montante a ser pago aos quatro mil novos polícias será mais uma despesa salarial que pode comprometer as medidas de redução do Produto Interno Bruto (PIB) de 11,4% em 2026 para 10,5% em 2028, lembra o economista.
"O FMI já tem estado a insistir na redução da massa salarial do Estado, que já absorve cerca de 13% do PIB. Isto é, acima da média da região onde Moçambique se situa. Então, admitir quatro mil novos polícias é uma decisão que vai no sentido oposto do que os parceiros internacionais recomendam", considera Rui Mathe.
"É pouco" diz Associação Nacional de Polícias
O presidente da Associação Nacional de Polícias, Nazário Muanambana, entende que admitir quatro mil novos polícias é pouco. "Nós, como associação, quando ouvimos falar de 4 mil é muito pouco nestas condições que o país precisa. É preciso que o governo aprove de facto um orçamento para termos um efetivo que mais ou menos que possa responder a realidade do momento."
Muanambana reconhece as dificuldades financeiras que o governo está a ter neste momento e sabe que terá impacto no pagamento de salários: "Haverá dificuldades, porque as dificuldades que nós estamos a passar hoje, com pouco efetivo e com o aumento do efetivo, também vão aumentar."
"Mas são as condições que o país tem e temos de admitir que estamos em Moçambique, nas condições em que está, não podemos admitir que o país pare porque não há condições", acrescenta.
A falta de emprego em Moçambique empurra milhares de jovens a concorrer a vagas na polícia - não necessariamente por vocação, mas para terem uma ocupação.
O economista Rui Mathe entende que a contratação de mais quatro mil novos polícias não vai responder à falta de emprego em Moçambique. "A decisão pode ser prioritária, política de segurança, mas não como uma resposta a crise de emprego juvenil ou a sustentabilidade fiscal. É uma medida que resolve uma parte imediata, mas pressiona ainda mais o orçamento e não responde ao desafio estrutural", conclui.