Milhares protestam por “verdade e justiça” no Burkina Faso | Internacional – Alemanha, Europa, África | DW | 04.11.2017
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Internacional

Milhares protestam por “verdade e justiça” no Burkina Faso

Manifestantes exigiram em Ouagadougou a responsabilização dos culpados pelas mortes na insurreição popular de 2014 que depôs o ex-Presidente Blaise Compaoré e pelas vítimas do golpe de Estado falhado de 2015.

Burkina Faso Proteste und Gewalt (Getty Images/AFP/S. Kambou)

Foto de arquivo (2015): Manifestantes pedem fim da crise no Burkina Faso

A repressão das manifestações pela demissão de Blaise Compaoré, a 31 de outubro de 2014, após 27 anos no poder, fez oficialmente 33 mortos e 600 feridos. O golpe de Estado falhado de 2015 resultou em 3 vítimas morais e mais de cem feridos, segundo os dados oficiais.

Respondendo ao apelo de uma dezena de sindicatos e organizações da sociedade civil, incluindo o Movimento burkinabé dos Direitos do Homem, milhares de manifestantes reuniram-se na Praça da Nação, em Ouagadougou, capital do Burkina Faso, de onde partiram para o que resta do edifício da Assembleia Nacional, saqueada e incendiada durante os protestos de 2014.

Os manifestantes, maioritariamente vestidos de vermelho, gritaram palavras de ordem como "verdade e justiça para os mártires” e "não à impunidade” e exibiram cartazes onde se liam frases como "Sim ao julgamento dos arquivos da insurreição popular, do golpe falhado e todos os dossiês de crimes de sangue e crimes económicos”.

"Não à impunidade”

Blaise Compaoré Präsident Burkina Faso

Blaise Compaoré, ex-Presidente do Burkina Faso.

"Como é que podemos não nos indignar, se, três anos depois, as autoridades políticas e judiciais (...) continuam a ser incapazes de nos dizer quem ordenou os disparos e quem disparou contra os nossos filhos?”, questiona o presidente do Movimento burkinabé dos Direitos do Homem, Chrisogone Zougmoré.

"Três anos depois, constatamos que as manobras político-judiciais têm o objetivo fundamental de garantir a impunidade dos homens do clã de Compaoré”, afirma, por sua vez, o presidente da Comissão de Defesa e Aprofundamento dos acontecimentos da insurreição popular, Elie Tarpaga, denunciando "a libertação de golpistas e dos seus cúmplices”.

A 11 de outubro, Djibrill Bassolé, antigo chefe da diplomacia de Compaoré, detido há dois anos pelo seu alegado envolvimento no golpe falhado de setembro de 2015, foi colocado em prisão domiciliária.

Segundo Elie Tarpaga, há "factos suficientes, hoje, para responsabilizar o poder de Roch Marc Christian Kaboré (eleito Presidente do Burkina Faso em dezembro de 2015) e dos seus amigos na não-manifestação da verdade e da justiça para os mártires da insurreição e do golpe”.

Num comunicado divulgado por ocasião do terceiro aniversário da revolta, a procuradora-geral do Burkina Faso, Maiza Sérémé, indicou que 17 pessoas foram condenadas por "tentativa de homicídio, homicídio e agressões”, tendo sido emitidos mandados de captura.

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