Manifestantes pedem demissão do chefe de gabinete de João Lourenço | Angola | DW | 03.10.2020

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Angola

Manifestantes pedem demissão do chefe de gabinete de João Lourenço

Cerca de cem pessoas manifestaram-se este sábado (03.10) em Luanda, exigindo a demissão do chefe de gabinete do Presidente angolano. Edeltrudes Costa alegadamente terá sido beneficiado em contratos públicos.

Edeltrudes Costa, chefe de gabinete do Presidente angolano

Edeltrudes Costa, chefe de gabinete do Presidente angolano

Os manifestantes concentraram-se perto das 11:00 no Largo das Heroínas e saíram às 13h em direção à Mutamba, numa marcha acompanhada de apitos e palavras de ordem contestando Edeltrudes Costa e com recados ao Presidente e o partido do poder, Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA).

À cabeça do desfile, os manifestantes empunhavam uma faixa com os dizeres "Edeltrudes Fora", além de cartazes improvisados. "J-LO queremos o nosso gatuno", lia-se num deles, numa alusão ao Presidente da República. "Angola continua amordaçada", contestava outro.

A manifestação foi organizada para pressionar o Presidente da República a demitir o seu chefe de gabinete, disse à Lusa Dito Dali, um dos organizadores.

"O senhor Edeltrudes está a ser acusado de ter desviado avultadas somas de dinheiro de Angola para o exterior, dinheiro que serviu para comprar casas em Cascais, apartamentos e carros topo de gama. Não podemos aceitar que um gestor público no exercício das suas funções e neste momento de crise pegue o dinheiro e o leve para o exterior, quando há angolanos a morrer por falta de medicamentos dos hospitais e por falta de comida", criticou.

Assistir ao vídeo 01:37

Luanda: Angolanos pedem a demissão de Edeltrudes Costa

Combate à corrupção

Dito Dali destacou que o combate à corrupção foi a bandeira do Presidente e que este tem de dar o exemplo: "A Presidência da República não pode ser um abrigo para corruptos. É bom que o Presidente estenda a luta contra a corrupção a todas as esferas, sejam seus filhos, amigos próximos ou compadres, devem ser responsabilizados".

Dito e outros ativistas estão a recolher assinaturas para uma petição pública para mostrarem que "os angolanos estão atentos e vão acompanhando as ações dos gestores públicos", pretendendo remeter depois o manifesto para a Presidência.

"Vamos até ao fim para ver o senhor Edeltrudes Costa fora da Presidência da República. A partir de hoje, vamos transformar as ruas de Luanda nos nossos escritórios", prometeu Dito Dali, reclamando uma revisão da Constituição da República.

Quanto à luta contra a corrupção, "tudo depende do Presidente da República", afirmou. "Se demitir Edeltrudes, esse 'slogan' de luta contra a corrupção vai se manter, mas se não o tirar significa que o combate a corrupção fracassou e é pena porque o Presidente vai perder credibilidade", a nível interno e externo.

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Luanda Leaks: União Europeia promete tolerância zero para "dinheiro sujo"

Também a ativista social Laura Macedo se juntou ao protesto, destacando a luta contra a corrupção. "Ainda não conseguimos perceber o que o Governo quer com este tipo de luta contra a corrupção, achamos que não estão a combater nada, as acusações não passam de brincadeira", disse à agência de notícias Lusa.

Outros casos

Laura Macedo apontou o caso de Augusto Tomás, ex-ministro dos Transportes "que está na cadeia, mas continua a ser um homem rico" e do empresário Jean Claude Bastos de Morais com quem o Governo angolano "fez um pacto de não agressão" como maus exemplos. "Agora temos João Lourenço a decretar contratos com os seus auxiliares, não pode ser", criticou.

"Este é o mote que me traz aqui, não estou preocupada com os Edeltrudes que a vida nos traz, estou preocupada é com a forma como o Presidente Joao Lourenço está a governar o país", destacou a ativista.

"Não há milionário nenhum aqui -- e não são poucos -- que tenha trabalhado para esse dinheiro", rematou a ativista social, defendendo que todo o Governo se devia demitir, por que "o problema está no próprio Presidente da República".

A marcha parou na zona da Mutamba onde um cordão policial travou os manifestantes e impediu que se aproximassem da Cidade Alta, centro do poder político em Luanda, que alberga o Palácio Presidencial.

O caso que envolve o chefe de gabinete de João Lourenço foi noticiado recentemente pela estação televisiva TVI e envolve a contratação de uma empresa de consultoria de Edeltrudes Costa num negócio que tinha como objetivo a modernização dos aeroportos angolanos e terá rendido vários milhões de euros em contratos públicos que foram autorizados pelo chefe de Estado angolano.

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