Madagáscar: Seca ameaça de fome mais de 400.000 pessoas
26 de junho de 2021
Lola Castro, diretora regional do Programa Alimentar Mundial (PAM) na África Austral, disse numa conferência de imprensa, na sexta-feira (25.06), que testemunhou "uma situação muito dramática e desesperada" durante a sua recente visita com o chefe daquele programa ds Nações Unidas, David Beasley, à nação da ilha de 26 milhões de habitantes no Oceano Índico.
Centenas de vidas de adultos e crianças foram "desperdiçadas" e centenas de crianças eram "pele e ossos" e receberam apoio nutricional, disse ela.
Em 28 anos de trabalho no PAM em quatro continentes, Lola Castro disse que nunca tinha visto nada "tão mau" - exceto em 1998, em Bahr el-Gazal, no que é agora o Sudão do Sul.
A ONU e o Governo de Madagáscar estão a lançar um apelo à doação de cerca de 155 milhões de dólares em poucos dias para fornecer alimentos que salvam vidas e evitar uma grande fome, disse.
Milhares de pessoas deixaram as suas casas em zonas rurais e mudaram-se para ambientes mais urbanos em busca de alimentos, acrescentou.
Agir depressa
David Beasley escreveu na sexta-feira na rede social Twitter que 400.000 pessoas "caminham na direção da fome" e 14.000 estão em "condições semelhantes à fome".
"Se não agirmos o mais depressa possível, o número de pessoas que enfrentam a fome atingirá 500.000 em poucos meses", alertou, prosseguindo: "Há meses que as famílias vivem de frutos crus de cato vermelho, folhas selvagens e gafanhotos".
"Isto não é por causa da guerra ou conflito, é por causa das alterações climáticas", salientou Beasley. "Esta é uma área do mundo que nada contribuiu para as alterações climáticas, mas agora é a que está a pagar o preço mais alto".
Segundo o PAM, 1,14 milhões de pessoas no sul de Madagáscar não têm alimentos suficientes, incluindo 14.000 em condições "catastróficas", um valor que pode duplicar para 28.000 até outubro.
Madagáscar é o único país que não está em conflito mas ainda tem pessoas a enfrentar uma "Catástrofe Humanitária-Fome" na Classificação da Fase Integrada de Segurança Alimentar, conhecida como IPC, que é uma parceria global de 15 agências das Nações Unidas e organizações humanitárias internacionais, que utiliza cinco categorias para medir a segurança alimentar, disse Castro.