Lucy: o fóssil que reescreveu a história da humanidade | História de África - Raízes Africanas | DW | 01.03.2018
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História de África

Lucy: o fóssil que reescreveu a história da humanidade

O fóssil mais famoso do mundo é provavelmente Lucy, também conhecida como Dinknesh. Nos últimos 40 anos, Lucy, descoberta na Etiópia, ajudou a reformular a história da evolução humana.

Onde foi encontrada Lucy (Dinknesh)? Perto da aldeia etíope de Hadar no Afar Triangle, que faz parte do Grande Vale do Rift.

Lucy é famosa porquê? Estima-se que Lucy - também chamada "Dinknesh"- tenha vivido há 3,2 milhões de anos. Quando os seus ossos fossilizados foram escavados em 1974, ela foi aclamada como o mais antigo humano primitivo - ou hominin - já encontrado. Os cientistas encontraram 40 por cento dos seus ossos, o que fez deste o esqueleto mais completo de uma antiga espécie humana encontrada. Lucy pertencia a uma nova espécie que recebeu o nome científico de "Australopithecus afarensis". Ao estudar Lucy, os cientistas aprofundaram os seus conhecimentos sobre a evolução humana, por exemplo, em relação à forma como esses hominins se deslocavam.

Mas Lucy era um macaco? Lucy não era um macaco, está mais relacionada aos humanos modernos do que aos macacos. O estudo aos seus ossos mostrou que Lucy já era capaz de andar de pé - embora provavelmente se sentisse mais confortável em cima das árvores do que a caminhar no chão.

Quantos anos tinha? Ao olhar para os dentes, para o desenvolvimento ósseo e para as vértebras, os cientistas acreditam que Lucy era um adulto jovem, mas totalmente maduro, quando morreu.

Bildergalerie Beatles Konzert in Shea Stadion 1965 (picture-alliance/Photoshot)

Beatles, 1965

Porquê "Lucy" e "Dinknesh"? Donald Johanson e Tom Gray, os cientistas americanos que encontraram Lucy comemoraram a descoberta no seu acampamento ao som da música dos Beatles "Lucy in the Sky with Diamonds". Foi por esta razão que o fóssil ficou conhecido com o nome Lucy. O nome mais recente é Dinknesh, que significa "Tu és maravilhosa!" em amárico, língua oficial na Etiópia. O nome "Lucy" ficou tão popular que  "Dinknesh" é pouco conhecido fora do seu país de origem.

Descobertas arqueológicas recentes põem em causa Lucy? A história da humanidade sempre terá alguns mistérios. As ligações entre os antecessores do ser humano moderno podem ser objeto de contestação. Nos últimos anos, depois de novas descobertas na Etiópia, o aparecimento de uma nova espécie na África do Sul criou agitação: estima-se que o "Homo naledi" tenha vivido há 2,8 milhões de anos - apenas algumas centenas de milhares anos após Lucy. Mas a atribuição do status "hominini" - primeiros humanos que receberam o status "homo" - é contestada. Quais serão as origens do "homo sapiens" - o humano moderno: Marrocos? Etiópia? Ou várias origens, talvez, fora de África? Ao olhar para trás constata-se que todas as novas descobertas confirmam que os antecessores dos humanos modernos, qualquer que seja a sua cor, eram africanos.

Pode-se ver Lucy? Sim e não. Os ossos fossilizados de Lucy estão escondidos do público num cofre especial no Museu Nacional da Etiópia, na capital do país, Addis Abeba. Mas os visitantes podem ver uma réplica de gesso dos 47 ossos que compõem o seu esqueleto no Museu Nacional, assim como em outros museus espalhados por todo o mundo. Além disso, o site eLucy tem digitalizações de todos os seus ossos. É ainda possível fazer comparações do esqueleto de Lucy com outros achados.

African Roots Lucy Dinknesh (Comic Republic)

Estima-se que Lucy - também chamada "Dinknesh"- tenha vivido há 3,2 milhões de anos

A história de Lucy 

Depois de duas semanas de escavações debaixo do sol escaldante da Etiópia, uma equipa americana de investigadores extraiu várias centenas de fragmentos ósseos pertencentes a Lucy. Até ali, 1974, este era um dos fósseis mais antigos e completos de uma espécie humana jamais encontrados. Como explica o professor etíope Berhane Asfaw, "cerca de 40 por cento do corpo de Lucy estava preservado", o que permitiu aos cientistas "conhecer a sua biologia melhor do que a de qualquer outro fóssil da época".

O entusiasmo que esta descoberta causou no mundo científico não se ficou a dever apenas ao facto de terem sido encontrados dois quintos dos ossos de Lucy. Foram descobertos ossos fundamentais para compreender melhor a evolução da humanidade. Segundo Robert Blumenschine, do Instituto de Paleologia da África do Sul, organização que financiou as escavações,  "além de restos da cabeça e dos dentes, que são muito importantes para saber mais sobre a dieta e o tamanho do cérebro desta criatura, (Lucy) tinha também partes importantes do esqueleto que mostravam que ela caminhava em duas pernas".

Humano ou macaco?

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Lucy: o fóssil que reescreveu a história da humanidade

Mas, apesar de andar como um humano, Lucy também partilhava algumas características com macacos - os braços eram curvados e mais longos do que as pernas, o que indica que também escalava árvores. Tinha pouco mais de um metro de altura, nariz plano e a mandíbula inferior saliente como a de um chimpanzé.

A descoberta de Lucy, juntamente com outros esqueletos dos primeiros seres humanos em África, mostra que foi aqui, neste continente, que nasceu a humanidade."Todas as características que nos distinguem dos nossos parentes vivos mais próximos, os chimpanzés, tiveram origem neste continente - do bipedalismo à dependência da tecnologia, mas também os traços humanos essenciais, os cérebros grandes, a inteligência, o pensamento abstrato e o comportamento simbólico. Tudo isto são inovações africanas, que mostram que toda a humanidade tem origem africana", constata , diz Robert Blumenschine.

Lucy ou Dinknesh?

Muitos etíopes preferem chamar a Lucy "Dinknesh" - que significa "és maravilhosa". Por ser tão única, Lucy não está acessível ao público no Museu Nacional da Etiópia. Só é exibida em exposições especiais. Mas há réplicas de gesso em exibição em todo o mundo. E muitas fotografias dos seus ossos estão disponíveis online.

O esqueleto de Lucy pode ter estado enterrado na areia durante três milhões e duzentos mil anos, mas agora a ciência tem feito tudo para divulgar a informação escondida nas suas ossadas.

O projeto "Raízes Africanas" é financiado pela Fundação Gerda Henkel.

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Quem é Lucy da Etiópia?

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