Judoca que trocou Brasil pela Guiné-Bissau entre os melhores do mundo | Guiné-Bissau | DW | 08.05.2013
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Guiné-Bissau

Judoca que trocou Brasil pela Guiné-Bissau entre os melhores do mundo

Taciana Lima Baldé é a grande aposta guineense numa modalidade desportiva pouco comum no país: o judo. Até março deste ano, representava o Brasil nesta modalidade, mas uma descoberta sobre a sua origem mudou tudo.

Na final do Campeonato Africano, Taciana Lima Baldé derruba a adversária da Argélia, Sabrina Saidi

Na final do Campeonato Africano, Taciana Lima Baldé derruba a adversária da Argélia, Sabrina Saidi

Taciana Lima Baldé, de 29 anos, acaba de entrar para o ranking dos 16 melhores judocas do mundo na categoria ligeiro, onde ocupa a décima terceira posição. Representando a Guiné-Bissau no Campeonato Africano de Judo, realizado em Maputo, no mês de abril, ela foi a vencedora da categoria ligeiro (até 48kg), após derrotar a argelina Sabrina Saidi.

“Tinha muita gente a torcer por mim, fiquei muito emocionada quando ganhei. Com certeza fui a primeira atleta da Guiné-Bissau a ser campeã africana”, afirma a judoca, que já regressou ao Brasil com a primeira medalha de ouro conquistada em África.
 

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Judoca que trocou Brasil pela Guiné-Bissau entre os melhores do mundo

Passaporte guineense para a vitória

Entre Taciana e o lugar mais alto do pódio do campeonato africano existe uma história marcada pela busca por suas origens. Criada pela mãe e o padrasto, soube desde pequena que o pai era um estrangeiro que estudou engenharia no Brasil.  Em 2007, triste após uma derrota que lhe custou a vaga nas Olimpíadas de Pequim, decidiu  procurá-lo.

A mãe revelou que ele era um guineense chamado Oscar Suca Baldé, atual secretário de Estado das Pescas e dos Recursos Haliêuticos. Taciana encontrou-o pela internet e depois de cinco anos mantendo contato, pai e filha encontraram-se finalmente. “Conheci o meu pai no final de 2012, quando ele conseguiu reunir todos os irmãos, e passamos o ano novo em Dakar, no Senegal. É a melhor coisa que aconteceu na minha vida”, conta.
 
Em seguida, a judoca viajou até à Guiné-Bissau, fez o reconhecimento de paternidade e, além de brasileira, agora é cidadã guineense. Percebeu que teria mais possibilidades de realizar o sonho de ir para as Olimpíadas representando a sua nova pátria, já que no Brasil a competição interna é muito maior.
 

Taciana Lima Baldé (centro) com as demais vencedoras do campeonato e membros da União Africana de Judo

Taciana Lima Baldé (centro) com as demais vencedoras do campeonato e membros da União Africana de Judo

Atleta defende Guiné-Bissau no Brasil

Como na Guiné-Bissau só contam com Taciana, a atleta depende apenas dos seus resultados internacionalmente para chegar às Olimpíadas de 2016.  “Sou formada em Educação Física e, depois de 2016, quero passar um tempo ensinando judo, conseguir construir uma equipe no país e ser treinadora”, revela.

A judoca continua a morar e a treinar no Brasil, na cidade de Porto Alegre, mas recebe apoio do Comité Olímpico da Guiné-Bissau para participar das competições internacionais.

Em setembro, no Mundial de Judo, no Rio de Janeiro, vai experimentar pela primeira vez a sensação de defender a Guiné-Bissau em terras brasileiras. “Só em pensar que eu posso estar levando e elevando o nome da Guiné-Bissau, me satisfaz muito”, confessa.

A próxima competição de Taciana pela Guiné-Bissau será no final de maio, no campeonato “World Masters”, na Rússia.

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