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José Carlos de Almeida quer ser o próximo presidente do MPLA

28 de abril de 2026

Jurista e académico, pré-candidato José Carlos de Almeida critica a liderança atual do MPLA, defende processo interno "transparente" e afirma estar convicto de que será o próximo presidente, rumo às eleições de 2027.

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José Carlos de Almeida entra na corrida ao MPLA
José Carlos de Almeida: "Estou muito convicto de que serei o próximo presidente do MPLA"Foto: Privat

José Carlos de Almeida, jurista e académico, formalizou hoje a intenção de se candidatar à liderança do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), a pouco mais de sete meses do 9.º Congresso Ordinário do partido, convocado para os dias 9 e 10 de dezembro.

Em declarações à DW África, José Carlos de Almeida defende "a urgência de um processo interno, transparente e democrático rumo às eleições gerais de 2027", em Angola

DW África: Por que é que decidiu candidatar-se à liderança do partido no poder?

José Carlos de Almeida (JCA): Porque eu sou um cidadão muito consciencioso dos problemas que o nosso país vive. Sou um membro do MPLA, preocupado com a resolução de muitos problemas sociais do país, nomeadamente a educação, a saúde e outras questões sociais. E estou aqui para dar o meu contributo e trazer mudanças.

DW África: E pensa que tem, de facto, hipóteses de ser o próximo presidente do MPLA e da República de Angola?

JCA: Estou muito convicto de que serei o próximo presidente do MPLA, visto que João Lourenço não é muito aceite no seio do partido.

DW África: Acha que o MPLA tem chances de vencer as próximas eleições?

JCA: O MPLA vai ganhar as eleições, ainda que por uma maioria relativa. Ainda não será desta vez que um partido da oposição vai vencer o MPLA. Ainda não há uma alternativa.

DW África: E o José Carlos de Almeida cumpre todos os requisitos para ser candidato à liderança do MPLA? Militância de muitos anos, uma base de apoio em todas as províncias - sente que tem esse apoio?

JCA: Sim, sinto que tenho esse apoio. Eu tenho esse apoio porque sou docente e um indivíduo ativo nas redes sociais, onde produzo conteúdos educativos sobre a língua portuguesa. Sem modéstia, não há em Angola alguém que escreva mais sobre língua portuguesa do que eu. Tenho uma grande base de apoio dos meus amigos, ex-alunos e pessoas com quem tenho contacto nas redes sociais. Essas pessoas estão dispostas a apoiar-me.

Foi com base nessas relações virtuais e pessoais que consegui indicar delegados nas diversas províncias e, assim que receber as fichas, vou distribuí-las para a recolha de assinaturas.

DW África: Conta com mais candidatos e pensa que poderá concorrer com esses candidatos, digamos, de peso?

JCA: Neste momento somos três: O engenheiro António Venâncio - que foi o primeiro -, o general Higino Carneiro e eu, José Carlos de Almeida. Aprendi muito sobre política em Portugal, acompanhei muitos debates e estou preparado politicamente. Estou disponível para debater com qualquer membro do meu partido e, se for candidato do MPLA às eleições gerais, também com candidatos da oposição, como Abel Chivukuvuku, Adalberto Costa Júnior e outros candidatos.

DW África: Quando diz que quer melhorar a qualidade do ensino, dos serviços de saúde, aumentar a produção agrícola e industrial, aprofundar a democracia e a liberdade, isso é uma forte crítica implícita ao atual MPLA?

JCA: Exatamente. Tenho feito críticas às políticas, eu tenho expostos estas críticas, quer ao partido quer ao Presidente João Lourenço. Eu quero ser líder de todos. Estamos num país democrático e devemos agir em conformidade com a democracia.

DW África: De certeza que vão surgir críticas acusando-o de dividir o partido. Não tem medo disso?

JCA: Não tenho esse receio. Não tenho receio de que alguém me faça mal. Deus pôs-me no mundo com um espírito de missão. Ele inspirou-me para ser político, escritor e poeta e, portanto, aqui estou. Eu vivo protegido por Deus e eu confio em Deus e na vontade daqueles indivíduos que querem caminhar comigo para a mudança do país. 

Nunca teremos eleições enquanto o MPLA continuar no poder"