João Lourenço diz que fez mais do que o esperado em Angola | Angola | DW | 23.08.2018
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Angola

João Lourenço diz que fez mais do que o esperado em Angola

Em entrevista exclusiva à DW África, Presidente angolano rejeita críticas de Isabel dos Santos de que país é pouco atractivo aos investidores e diz que Governo vai continuar imparável no combate à corrupção.

O Presidente angolano, João Lourenço, terminou esta quinta-feira (23.08) a sua visita de dois dias à Alemanha. O chefe de Estado veio à procura de atrair mais investimentos para Angola.

Em entrevista exclusiva à DW África, João Lourenço afirmou que, em 11 meses de governação, fez mais do que era esperado com um "conjunto de medidas corajosas".

João Lourenço rejeitou as críticas de Isabel dos Santos de que o país é pouco atractivo para os investidores estrangeiros. Ao mesmo tempo, o Presidente garantiu que o Governo angolano vai continuar imparável no combate à corrupção, mas alertou que os cidadãos também têm um papel a desempenhar. "Sabe que nesta luta, há ações que dependem não apenas do poder político", afirmou.

DW África: Nesta  visita, pediu aos investidores o fornecimento de embarcações de guerra para a marinha angolana e outros meios electrónicos. Será que a Alemanha vai ajudar, apesar de já ter havido críticas quanto a este assunto no passado?

João Lourenço (JLo): Eu estive aqui em 2014 na condição de ministro da Defesa. Nessa altura, procurávamos conseguir a aquisição dessas embarcações aqui a partir da Alemanha por razões de diversas ordens, sobretudo, quando da conjuntura interna alemã, a Alemanha não só e mesmo, digamos, a própria União Europeia.

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João Lourenço diz que fez mais do que o esperado em Angola

Não foi possível naquela altura, mas nós estamos absolutamente convencidos de que agora os constrangimentos que existiam foram ultrapassados. A própria chanceler federal alemã, Angela Merkel, ontem (na quarta-feira) na conferéncia de imprensa depois do almoço de trabalho que tivemos foi referente a isso sem receio absolutamente nenhum das reações que a imprensa pudesse ter, o que significa dizer que os constrangimentos do passado estão ultrapassados e, sim, o Estado alemão vai, portanto, apoiar os estaleiros navais de Kiel, que em princípio serão os que vão fornecer as embarcações à Angola.

DW África: Falando do ambiente de negócios em Angola, a empresária Isabel dos Santos disse recentemente que Angola é pouco atrativa para os investidores estrangeiros e citou nomeadamente a falta de divisas. O que pensa sobre essa crítica?

JLo: Eu não queria entrar em mesquinhices deste tipo para uma cidadã que sendo nacional desencoraja o investimento para o seu próprio país. É o único comentário que eu tenho a fazer.

DW África: Disse no Parlamento Europeu em julho que Angola estava numa cruzada contra a corrupção e a impunidade. Quais serão os próximos passos nessa cruzada?

JLo: Os próximos passos é seguir a mesma trajetória que já foi delineada, que foi traçada. Sabe que nesta luta há ações que dependem não apenas do poder político. O poder político está a fazer a sua parte. Há outra parte que depende dos cidadãos, que devem denunciar, e há uma parte muito importante em qualquer democracia que depende da Justiça. E aí eu não posso interferir, eu não posso dizer exatamente o que a Justiça vai fazer. Só sei dizer que alguns casos já estão com a Justiça e qual será o desfecho daqui para frente só eles próprios poderão dizer.

DW África: O repatriamento de capitais já começou?

JLo: Não, nem podia ter começado, porque como sabe a lei estabelecia um prazo que só vence no final deste ano, creio que em dezembro. Portanto, antes desse período, não é de se esperar que comece.

DW África: Faz esta quinta-feira um ano que o MPLA venceu as eleições e que foi eleito como Presidente. Conseguiu fazer tudo o que queria fazer até aqui?

JLo: Em 11 meses, não é possível fazer-se o que deve ser feito num mandato de cinco anos. Eu considero, modéstia parte, que em 11 meses muito foi feito. Pode-se mesmo dizer que mais do que era esperado. Um conjunto de medidas corajosas que uma boa parte das pessoas pensava não ser possível fazer-se neste período inicial de arranque do meu mandato. E, talvez, esperassem que acontecesse para o terceiro ano do mandato, mas felizmente eu consegui fazer com sucesso nesses primeiros 11 meses.

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