Investigação a João Lourenço nos EUA é ″pouco provável″, diz analista | Angola | DW | 17.02.2021

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Angola

Investigação a João Lourenço nos EUA é "pouco provável", diz analista

Relatório da consultora Pangea-Risk associa o Presidente de Angola, João Lourenço, e um círculo próximo, a alegadas práticas de fraude, corrupção e peculato. Antevê ainda um processo nos EUA. Mas analista duvida.

Segundo a consultora Pangea-Risk, procuradores norte-americanos têm estado a investigar o Presidente angolano João Lourenço, assim como outros dirigentes do país, ao longo do último ano.

Em causa estariam alegadas práticas de fraude, corrupção e peculato, em violação de leis e regulamentos dos EUA, refere um relatório da consultora citado nos últimos dias pela imprensa. Depois da tomada de posse de Joe Biden como Presidente, a perspetiva seria de um "novo fôlego" para prosseguir as investigações.

Ouvido pela DW África, o analista Rui Verde levanta dúvidas quanto ao relatório da consultora especializada em análise de gestão de risco em África e no Médio Oriente.

Portugal Lissabon | EFACEC & Fall Isabell Dos Santos | Rui Verde, Experte

O analista Rui Verde vê o relatório da Pangea Risk como um "exercício de relações públicas"

"Na realidade não são apontadas quaisquer fontes que confirmem essa investigação, nem oficiais nem oficiosas, portanto parece-me muito pouco provável que essa investigação exista. O relatório em si é uma síntese de várias informações que têm vindo a surgir ao longo do tempo nos jornais", explica Rui Verde. 

"Eu vejo o relatório mais como um exercício de relações públicas - de determinadas partes contra outras partes - mas não como um exercício definitivo ou com uma força institucional própria."

Uma das suspeitas já levantadas a que o relatório se refere seriam alegações de pagamentos de subornos e comissões ilegais pela brasileira Odebrecht a empresas detidas por João Lourenço, a sua mulher, Ana Dias Lourenço, e parceiros de negócios próximos.

"Uma não notícia"

Para Rui Verde, o relatório acaba por ser uma "não notícia". O analista aponta ainda para o timing da publicação: com a aproximação do congresso do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA, no poder), em dezembro, e as eleições  gerais em 2022, "ou o combate à corrupção acaba ou o combate à corrupção intensifica-se".

"Este relatório vem pressionar e criar a ideia de que, como são todos corruptos, o melhor é não haver combate à corrupção nenhuma, essa acaba por ser a conclusão implícita", sublinha.

"O MPLA é o mentor da corrupção"

Ao tomar posse como Presidente da República, em 2017, João Lourenço anunciou uma "cruzada contra a corrupção" em Angola, mas, para alguns, este combate tem sido seletivo.

Raúl Danda, deputado da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), o maior partido da oposição, não se mostra surpreso com as acusações no relatório da consultora Pangea-Risk uma vez que "o MPLA é o mentor da corrupção que vigora no país".

Raúl Danda, Vizepräsident UNITA

Acusações no relatório não surpreenderam Raúl Danda, deputado da UNITA

"Quando vamos ouvindo informações sobre bens de pertença do próprio Presidente da República, da primeira-dama, dos filhos, enfim, ficamos a saber que fortuna herdaram para poderem ter esses dinheiros todos - e a resposta é: não herdaram coisa nenhuma, foi fruto desses esquemas", afirma Danda em entrevista à DW África.

Já o deputado do MPLA, João Pinto, salienta que, em primeiro lugar, é preciso respeitar o princípio da presunção de inocência.

"Não nos podemos deixar influenciar por suposições ou informações que procuram criar um ambiente de intimidação ou coibir o Presidente João Lourenço de exercer a sua função. Nós os militantes do MPLA confiamos nos órgãos do partido. O Presidente tem aquilo que se pode chamar de imunidades inerentes ao chefe de Estado e não pode ser abalado por qualquer informação até porque, se assim fosse, ninguém governaria."

Há um ano, em entrevista à DW África, o Presidente João Lourenço afirmou que assistiu durante muitos anos a corrupção no sistema político e que foi "por não concordar que a situação continuasse" que encetou uma "cruzada" contra este crime.

A Presidência angolana não comentou ainda o assunto. A DW África tentou obter uma reação, sem sucesso.

Assistir ao vídeo 04:25

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