″Há uma narrativa contra a Guiné Equatorial″, diz ministro equato-guineense | Internacional – Alemanha, Europa, África | DW | 15.06.2019
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Internacional

"Há uma narrativa contra a Guiné Equatorial", diz ministro equato-guineense

Para o ministro das Finanças, Economia e Planeamento da Guiné Equatorial, existe "um problema de narrativa com a Guiné Equatorial e contra África em geral". E César Mba Abogo culpa a imprensa.

"Há um problema de narrativa com a Guiné Equatorial, em particular, e com África em geral, e os meios de comunicação social têm de fazer um esforço mais sério, mais rigoroso, para contrastar essa narrativa apenas negativa", disse o ministro, em entrevista à agência de notícias Lusa este sábado (15.06) em Malabo, à margem dos Encontros Anuais do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), que decorreram até sexta-feira.

"O problema da Guiné Equatorial é o clima de negócios, não é fácil fazer negócios no país", admitiu o governante, usando como referência o ranking Doing Business, do Banco Mundial: "Temos uma parte de responsabilidade, mas estamos a solucionar isso", afirmou, exemplificando que enquanto há um ano os empresários demoravam dois ou três meses para abrir uma empresa e precisavam de um parceiro local, hoje a abertura de uma empresa demora uma semana e não implica um sócio nacional.

Questionado sobre a razão de existir essa narrativa, o ministro respondeu: "As pessoas não querem informar bem, não se dão ao trabalho de confirmar os factos", reforçou, dizendo que tem quatro pessoas para trabalhar a comunicação, enquanto "os da narrativa têm milhões a trabalhar para eles e milhões a citá-los".

Questionado sobre o que estas pessoas terão contra a Guiné Equatorial, o ministro retorquiu, assumindo que "não é contra" aquele Estado, um dos integrantes da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP): "É contra os países que querem desenvolver-se, a história está configurada assim; temos desafios, sim, como tem Portugal, como tem Espanha, onde estudei, como têm todos os países", disse.

Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, Präsident von Äquatorial-Guinea

Presidente da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang, é muito criticado por ativistas dos direitos humanos

Convidado a deixar uma mensagem para os investidores que contradiga essa "narrativa negativa", o governante disse que não são os investidores que precisam de uma mensagem, mas sim os jornalistas: "A mensagem não é para as empresas, essas investem onde acham que vão fazer dinheiro, a mensagem é para os 'media', que são os que influenciam as decisões das empresas; os investidores não decidem bem porque a mensagem está distorcida, por isso a mensagem é para os meios de comunicação, que não informem mal e que não perpetuem estereótipos que vêm de há séculos atrás".

Crescimento económico

A Guiné Equatorial deve aplicar um conjunto de reformas nos próximos anos que lhe permita sair da recessão económica em que está mergulhada desde 2016, relançando o crescimento, e para isso realizou este ano a terceira conferência económica nacional para atualizar as principais linhas de atuação do país, com "objetivos até 2035 para consolidar a equidade social e a diversificação económica, e que estão alinhadas com os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, com a Agenda para o Desenvolvimento 2063 e com as cinco prioridades estratégicas do Banco Africano de Desenvolvimento”, afirmou o governante.

"Sempre procurámos um crescimento económico sustentado e inclusivo, isso está sustentado na segunda conferência económica de 2007, na qual decidimos que as receitas petrolíferas iriam ser canalizadas para quatro grandes áreas de atuação: dotar o país de infraestruturas que permitam melhorar as condições de vida das populações e a produtividade da economia, investir nas pessoas para aumentar a capacidade e as condições de vida, investir no setor produtivo e investir na boa governação", elencou.

"Estes quatro eixos de atuação têm no centro o indivíduo, que tem de viver num país em que há água, luz e em que se possa mover facilmente, com ligações à Internet, boa educação, saúde e leis, e sobretudo uma economia capaz de criar emprego", concluiu o governante.

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