Guiné-Bissau: Maioria fez a ″última exigência pacífica″ para a nomeação do primeiro-ministro | NOTÍCIAS | DW | 25.05.2019
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Guiné-Bissau: Maioria fez a "última exigência pacífica" para a nomeação do primeiro-ministro

Maioria parlamentar saída das legislativas de 10 de março voltou a marchar este sábado para exigir a nomeação do primeiro-ministro e formação do Governo guineense. É "o último ensaio", diz o líder do PAIGC.

Em comício depois da marcha que juntou milhares de pessoas em Bissau, este sábado, o líder do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), Domingos Simões Pereira, vencedor das últimas legislativas, afirmou categoricamente que esta será a última manifestação pacífica para exigir a nomeação do novo primeiro-ministro e consequente formação do Executivo.

"Este é o nosso último ensaio, a nossa última chamada de atenção, última exigência pacífica que fazemos não só ao povo guineense, mas também à comunidade internacional", afirmou.

Em concretização desta determinação, o presidente do PAIGC pediu ao povo guineense uma participação massiva na próxima manifestação de rua, como forma de resgatar os valores das conquistas democrática do país.

Neste comício popular na Praça Mártires de Pindjiguiti, símbolo da resistência nacional, Domingos Simões Pereira afirmou que o chefe de Estado está "sequestrado por alguns dos seus aliados", facto que, segundo, o líder do PAIGC, impede José Mário Vaz de agir em consciência. "São as mesmas pessoas que também querem sequestrar o Parlamento", sublinhou.

Domingos Simões Pereira alertou também para a grave situação económica do país - confirmada pelo Fundo Monetário Internacional - que pode entrar em "bancarrota" e "falência total" se o novo Governo não for nomeado. "Isso é o que o Presidente quer, um estado de caos", disse.

Guinea Bissau Bissau - Protest der Parlamentarische Mehrheitsparteien

Da esquerda para a direita: Vicente Fernandes (PCD), Idrissa Djaló (PUN), Agnelo Regalla (UM), Domingos Simões Pereira (PAIGC), Nuno Nabian (APU-PDGB) e Iaia Djaló (PND), no comício deste sábado.

Recados à comunidade internacional

"Não queremos ser melhores do que a comunidade internacional, mas também não vamos aceitar ser menos do que ela", frisou ainda Domingos Simões Pereira. Neste sentido, o líder do PAIGC afirmou que a Guiné-Bissau não é "filha da rua", mas sim "membro de pleno direito" das organizações internacionais.

Por isso, diz líder do PAIGC, não vão "pedir à CEDEAO, mas sim exigir" que resolva o impasse: "Se a CEDAO não é parte da solução, então é parte de problema".

Domingos Simões Pereira afirmou também que é tempo de haver uma nova Guiné-Bissau que exige respeito. "A Guiné-Bissau ajoelhada com os braços no ar, a pedir, acabou de vez. Se olharem para os países do mundo e africanos estão bem e não há segredos e magia, há só uma coisa: a lei, ordem e disciplina, e foram capazes de garantir que a justiça funciona", afirmou. 

O presidente do PAIGC sublinhou que quem estiver interessado em ajudar tem de saber que "só há um caminho que é aquele que é feito através da lei, da Constituição, da ordem, da disciplina e do desenvolvimento".

Guinea Bissau Bissau - Protest der Parlamentarische Mehrheitsparteien

Manifestantes e forças de segurança na marcha deste sábado, em Bissau.

Poder está "a ensaiar golpes de Estado"

Às Forças Armadas guineenses, o presidente do PAIGC disse que têm uma "herança extraordinária", mas que só faz sentido ao serviço da Justiça e do Estado de Direito democrático.

"As pessoas que têm poder, a começar pelo Presidente da República, é que estão a ensaiar golpes de Estado. Ele próprio é que está a pedir que finjam que há um golpe de Estado para ver se eu tomo medidas mais fortes ou se fujo e abandono o país", afirmou Domingos Simões Pereira, referindo-se aos rumores que têm circulado nos últimos dias em Bissau sobre alegadas tentativas de golpes.

O presidente do PAIGC salientou também que se não fez golpes depois de ter sido demitido em 2015, depois de vencer as eleições legislativas de 2014, também não o vai fazer em 2019.

"Nós respeitamos todos os organismos internacionais, mas desta vez têm de nos deixar construir o nosso país", afirmou Nuno Nabian, líder da Assembleia do Povo Unido - Partido Democrático da Guiné-Bissau (APU-PDGB), que assinou com o PAIGC, a União para Mudança e o Partido da Nova Democracia um acordo de incidência parlamentar e governativa. Os quatro partidos juntos têm 54 dos 102 deputados do Parlamento guineense.

"Domingos Simões Pereira, custe o que custar, se não for primeiro-ministro estamos a caminho de uma nova revolução", disse Nuno Nabiam, salientando que há uma maioria para garantir ao povo guineense quatro anos de governação.

Além de Nabiam, Agnelo Regala, da União para a Mudança, Iaia Djaló, do PND, Idrissa Djaló, do PUN, e Vicente Fernandes, do PCD, partidos aliados do PAIGC, manifestaram a sua determinação em continuar  exigir o respeito da vontade popular expressa nas urnas. 

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