Grávidas que não pagam subornos ficam sem serviços de maternidade em Lichinga | NOTÍCIAS | DW | 30.06.2018
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Grávidas que não pagam subornos ficam sem serviços de maternidade em Lichinga

Denúncia é feita por utentes dos serviços de maternidade do hospital provincial de Lichinga, na província do Niassa, norte de Moçambique. Se não pagarem subornos, grávidas não acedem aos serviços ou são mal atendidas.

Serviços de maternidade do hospital provincial de Lichinga.

Serviços de maternidade do hospital provincial de Lichinga.

É uma prática ilegal, as autoridades estão a par da situação, mas, mesmo assim, continua a haver enfermeiras e parteiras a cobrar pelos seus serviços nas duas maternidades existentes no hospital de referência na cidade de Lichinga.

A denúncia é feita por utentes, em entrevista à DW África, que recusam divulgar o nome, por medo de represálias. Afirmam que, sem pagar, as mulheres são mal atendidas ou podem mesmo ficar sem atendimento.

"Sem sacudir a capulana" não há atendimento

Uma das utentes conta a sua história: " A minha mãe saiu e foi procurá-las e encontrou uma das parteiras. Pediu-lhe para vir ver-me e uma delas saiu e chegou, observou-me e disse que o bebé estava longe, precisava de ser operada. Daí, a minha mãe pediu-lhes para esperarem um pouco e elas foram dormir e deixaram-nos sozinhas, sem atendimento".

Mosambik, Lichinga, José Manuel, Provinzdirektor für Gesundheit in Niassa

José Manuel, diretor provincial de saúde no Niassa.

Se a sua mãe não tivesse dinheiro, acrescenta, teria perdido a sua filha. "A parteira disse 'se a senhora não sacudir capulana a sua filha não vai ser atendida', e a minha mãe não estava a entender o português. Eu disse que elas queriam dinheiro. E a minha mãe respondeu 'podem atender, eu tenho 500 meticais'. Disseram que 500 meticais era pouco. Minha mãe disse 'é o que eu tenho e se tivesse em casa ia correr para ir buscar'. Aí, elas me atenderam e me puseram a soro e tive a bebé", conta.

Direção garante que está a tomar medidas

500 meticais é o equivalente a 7 euros. José Manuel, diretor provincial de saúde no Niassa, diz que tem conhecimento do fenómeno, mas que é difícil agir porque não há denúncias: "Nós, como sector de saúde, temos estado abertos à articulação com todas as entidades necessárias, porque o combate à corrupção é um ponto fulcral para o sector da saúde", afirma, frisando que "o combate à corrupção requer a intervenção de todos".

Ouvir o áudio 02:40

Sem subornos grávidas não são atendidas em Lichinga

Os utentes podem fazer as denúncias directamente nas unidades de saúde, segundo o director provincial. Na perspectiva da prevenção e numa tentativa de detectar e resolver estes casos, explica José Manuel, foram criadas "plataformas em todas as unidades sanitárias para que, se realmente os cidadãos [pagarem] um valor para um acto clínico, possam prontamente colocar os assuntos".

O responsável faz um alerta: os funcionários ou funcionárias que forem apanhados a fazer cobranças ilícitas serão expulsos do sistema de saúde, como forma de desencorajar outros profissionais.

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