Faltam apoios às vítimas das inundações na cidade de Maputo
20 de janeiro de 2026
Nos 23 centros de acomodação das vítimas das chuvas intensas há mais de 2700 pessoas que precisam de apoio alimentar. As condições são deploráveis, queixa-se Marcelina Matusse, que veio do bairro de Magoanine. "Quem saiu com algo para cozinhar está a cozinhar, não temos nada aqui. E quem tem alguma coisa no bolso, é só comprar", diz.
As igrejas e as escolas são os maiores centros de acolhimento na cidade de Maputo. No interior das salas as paredes estão húmidas e os vidros das janelas estão partidos, o que permite a entrada das águas das chuvas.
Os deslocados dormem no chão e as mulheres e crianças estendem capulanas. Os homens ajeitam-se em cima das carteiras, mas o sono é perturbado pelos mosquitos, diz Amelvina Ramos, residente no bairro Luís Cabral. "Não estamos a dormir em condições boas. Não temos redes não temos nada", lamenta.
Do bairro da Polana Caniço B saiu Sónia Armando, que teve de enfrentar as águas que lhe chegavam pela altura da bacia, com uma bebé de colo e sem roupa para cobri-la. "Está mal, só tentei levar isto aqui [uma capulana] e tentar estender para ela usar. Está muito mal, nem para conseguir sair de lá", conta.
Governo reconhece limitações
A vereadora da Mulher, Assistência Social e Família, no Conselho Municipal de Maputo, Anabela Inguane, reconhece a situação deplorável nos centros de acomodação.
"As condições não são as melhores. Sabemos que estão nas escolas e não é o mesmo que estar em casa. Mas estamos a fazer assistência em coordenação com o INGD que consiste em produtos alimentares, produtos de higiene, de limpeza, algumas esteiras e mantas", revela.
O governo central reconhece, no entanto, as limitações financeiras para assistência às vítimas das inundações e cheias.
A vereadora Anabela Inguane garante que os alimentos estão a ser distribuídos, fruto da mobilização do governo, organizações e pessoas de boa vontade. "Até ontem tínhamos todos os centros de acomodação abastecidos com alimentação, produtos de higiene e limpeza, pelo menos para estes dias", disse.
No entanto, há ainda algumas famílias que se recusam a sair das zonas inundadas por temerem roubos nas suas residências. Mas, segundo a vereadora, algumas dessas famílias tiveram de ser tiradas à força. "Nós recomendamos a saúde, depois são os bens, porque os bens nós podemos comprar, mas a saúde é única. Estamos a fazer retirada compulsiva daquelas famílias que estão em perigo", explica Inguane.
As intempéries que afetam o país, há mais de uma semana, estão a impedir a circulação de pessoas e bens. Também provocaram o descarrilamento de um comboio de transporte, no domingo.