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Deslocados de Tigray acusam soldados de "tortura" e "morte"

Lusa | AFP | Reuters | tms
27 de maio de 2021

Relatório da ONU traz acusações de deslocados da região etíope de Tigray, próxima à Eritreia, que denunciam alegados crimes cometidos por soldados. Documento não especifica que forças armadas estão a ser acusadas.

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Deslocados de TigrayFoto: Eduardo Soteras/AFP/Getty Images

Vários deslocados na região etíope de Tigray acusaram soldados de "rapto, tortura e, em alguns casos, assassínio", segundo um relatório de agências das Nações Unidas e de organizações não governamentais (ONG), citado esta quinta-feira (27.05) pela agência noticiosa France Presse. 

O documento, concluído esta semana, diz respeito a campos para deslocados na cidade de Sheraro, no noroeste de Tigray, perto da fronteira com a Eritreia.

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) disse, na quarta-feira, que estava "profundamente alarmado" com as detenções de centenas de pessoas deslocadas em campos no Tigray, onde o exército federal conduz uma operação militar há seis meses.

Detenções, efetuadas na segunda-feira à noite por soldados da Etiópia e da vizinha Eritreia, tiveram como alvo os campos que se formaram perto da cidade de Shire, denunciou na terça-feira a Amnistia Internacional e várias testemunhas também citadas pela agência de notícias francesa.

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Soldados etiópes patrulham a região de TigrayFoto: Minasse Wondimu Hailu/AA/picture alliance

Cerca de 200 pessoas deslocadas foram espancadas por soldados, que confiscaram os seus telefones antes de os carregarem em camiões, disse a investigadora da AI, Fisseha Tekle.

"Problema de segurança"

Entrevistas individuais com os deslocados destacaram um "grande e contínuo problema de segurança", bem como a "presença de forças armadas a operar em Tigray", segundo o relatório. 

Os entrevistados relataram "alegações de violação contínua de raparigas e mulheres, tanto dentro como fora dos locais" que acolhem deslocados, bem como "rapto, tortura e, em alguns casos, assassínio de jovens homens pelas forças armadas", acrescenta o documento.

O relatório foi elaborado pelo Coletivo de Proteção da Etiópia, que inclui agências da ONU, organismos governamentais e ONG locais e internacionais. O documento não especifica que forças armadas são acusadas dos crimes, mas Sheraro está largamente sob controlo eritreu, de acordo com as ONG de ajuda humanitária que operam em Tigray.

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O primeiro-ministro etíope, Abiy Ahmed, lançou uma operação militar em 4 de novembro contra as autoridades da Frente de Libertação do Povo do Tigray (TPLF), em conflito com o Governo federal. Os combates continuam na região, onde a situação humanitária crítica está a alarmar a comunidade internacional.

EUA lançam alerta

Devido à escalada dos conflitos na região e à deterioração da situação humanitária, um alto funcionário do Departamento de Estado norte-americano advertiu esta quinta-feira que a Etiópia e a Eritreia deveriam prever novas ações dos Estados Unidos se aqueles que estão a alimentar o conflito na região de Tigray na Etiópia não conseguirem inverter o rumo da situção.

O Secretário Adjunto Interino do Departamento de Estado para o Gabinete de Assuntos Africanos, Robert Godec, disse à Comissão de Relações Exteriores do Senado que a situação de segurança em Tigray piorou nas últimas semanas, acrescentando que todas as partes armadas cometeram atrocidades.

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