Estudo aponta que SIDA aumentou 70% em Angola e 9% em Moçambique entre 2001 e 2010 | NOTÍCIAS | DW | 01.12.2011
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Estudo aponta que SIDA aumentou 70% em Angola e 9% em Moçambique entre 2001 e 2010

Número de seropositivos volta a crescer em África, afetando cada vez mais angolanos e moçambicanos, revela relatório internacional. Com 22,9 milhões de infetados, a África Subsaariana é a região do mundo mais atingida.

Segundo relatório da Organização Mundial da Saúde, África Subsaariana é a região mais atingida pela SIDA

Segundo relatório da Organização Mundial da Saúde, África Subsaariana é a região mais atingida pela SIDA

O relatório "2011-Global HIV/AIDS Response", divulgado em Genebra pela Organização Mundial da Saúde (OMS) na quarta-feira (30.11), véspera do Dia Mundial da Sida (01/12), revela que apesar dos progressos verificados nos últimos anos a situação da doença em Moçambique e Angola continua a ser preocupante, pelo que os dois países se mantêm na lista dos 22 prioritários dos organismos internacionais no combate à transmissão materna do vírus VIH.

O estudo indica que há uma tendência de estabilização na incidência do VIH em Moçambique, mas a proporção da população a viver com o vírus permanece muito elevada. A estimativa da prevalência de infeção pelo VIH é de perto de 13% da população total (cerca de 20 milhões de pessoas), tendo crescido 9% entre 2001 e 2010.

Em Angola, a estimativa da prevalência de infeção pelo VIH é de cerca de 3%da população total (cerca de 18, 5 milhões de habitantes), com um aumento de 70% entre 2001 e 2010.

No caso moçambicano, o relatório refere que aumentou significativamente o número de circuncisões com o objetivo de prevenir a transmissão do vírus VIH, passando de nenhuma intervenção, em 2008, para 7.633. em 2010. Todavia, o documento indica que para atingir 80% de prevenção, em Moçambique, entre os homens de 15 e 49 anos, seria necessário realizar 1.059.104 circuncisões.

Mulheres são mais afetadas

Novas tecnologias usadas na prevenção e tratamento da SIDA

Novas tecnologias usadas na prevenção e tratamento da SIDA

Entre 24 países estudados, houve um declínio de 31% da prevalência média de mulheres grávidas com VIH atendidas em clínicas pré-natais, mas em Angola houve um aumento de 50% nesse grupo populacional. O valor mais elevado da redução foi no Quénia e na Etiópia, com uma queda de 70%.

A região do mundo mais afetada pela SIDA continua a ser a África Subsaariana, onde se registam cerca de dois terços (22,9 milhões) dos casos de pessoas infetadas com o VIH. Mais de metade (59%) das pessoas infetadas são mulheres.

Em todo o mundo, no final de 2010, cerca de 34 milhões de pessoas viviam com o VIH, o número mais elevado de sempre que, segundo os especialistas, se deve ao aumento da sobrevivência. Destes casos, mais de 3,4 milhões são de crianças com idades inferiores a 15 anos.

A procura de uma vacina contra o VIH dura há mais de vinte anos. Apesar de se terem registado alguns progressos, ainda não há cura, nem vacina.

Klaus Überla, virólogo da Universidade de Bochum, na Alemanha, explica que “um aspeto muito importante é que o vírus da SIDA, é muito diversificado. Não lidamos só com um vírus mas com estirpes de vírus em contínua mutação. Daí a dificuldade em desenvolver uma vacina que seja eficaz contra as múltiplas estirpes do VIH”.

Depois da identificação do vírus em 1984, muitos cientistas consideravam que a descoberta de uma vacina contra o vírus da imunodeficiência adquirida seria apenas uma questão de tempo, na expectativa que as mesmas estratégias aplicadas na hepatite A, raiva ou poliomielite dessem resultado.

Vacina tarda a chegar

Investigação científica fez grandes, embora insuficientes, progressos na descoberta de uma vacina anti-SIDA

Investigação científica fez grandes, embora insuficientes, progressos na descoberta de uma vacina anti-SIDA

Os investigadores depressa se aperceberam que o VIH é diferente devido às frequentes mutações que sofre e à sua capacidade para iludir o sistema imunitário que se revela incapaz de o detetar precocemente. “Essa combinação leva a que mesmo quando se criam anticorpos contra o vírus estes não consigam evitar a entrada do vírus no corpo”, explica Überla.

O VIH infeta os seres humanos inserindo-se no ADN das suas células imunitárias e usa as células do hospedeiro para se replicar e atacar outras células. Atualmente os medicamentos mais poderosos contra o VIH limitam-se a reduzir a taxa de replicação do vírus, fazendo com que a carga viral no sangue desça sem que as verdadeiras causas da doença sejam debeladas.

Apesar de ainda não ter sido descoberta uma cura para o VIH, importa registar os progressos científicos entretanto alcançados.

Uma equipa de investigadores espanhóis testou com bons resultados uma nova vacina terapêutica contra o vírus da SIDA, que permitiu pela primeira vez “uma redução significativa da carga viral” no organismo dos pacientes que padecem com esta doença. No entanto, os cientistas admitem que a solução encontrada ainda precisa de ser melhorada.

Autor: Helena Ferro de Gouveia
Edição: Pedro Varanda de Castro/António Rocha

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