Dirigentes acusados de pedir favores: ″Duro golpe″ contra João Lourenço? | Angola | DW | 05.11.2019
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Angola

Dirigentes acusados de pedir favores: "Duro golpe" contra João Lourenço?

Chefe da diplomacia angolana e vice-presidente do MPLA terão tentado pedir um favor à cônsul de Angola em Nova Iorque, irmã de João Lourenço. Analista considera que, a ser verdade, assunto deve ser resolvido em tribunal.

A vice-presidente do MPLA, o partido no poder em Angola, Luísa Damião, e o ministro das Relações Exteriores, Manuel Augusto, são acusados de pedirem à nova cônsul geral de Angola em Nova Iorque, Edith Lourenço Catraio, para nomear as filhas para o consulado. A cônsul, que é a irmã mais nova do Presidente João Lourenço, terá negado o favor e estará agora a sofrer as consequências.

A denúncia é de Miguel Catraio, antigo vice-governador de Luanda e cunhado do Presidente angolano. "O ministro pretendeu impor que a embaixadora Edith [Lourenço Catraio], nomeada cônsul em Nova Iorque, tivesse no Consulado a sua filha, filha do ministro, e a da vice-presidente do MPLA, ação esta rejeitada pela cônsul nomeada porque havia incompatibilidades de vária ordem", explica numa entrevista ao portal Club-k.

Depois da rejeição, a ida de Edith Lourenço Catraio para Nova Iorque estaria agora a ser dificultada, segundo o marido. Miguel Catraio afirma que, depois da recusa, começaram a circular informações falsas no Ministério dos Negócios Estrangeiros, segundo as quais a ida da diplomata estaria a ser dificultada por uma suposta rejeição das autoridades norte-americanas em conceder um visto a Miguel Catraio, por ter sido condenado à prisão em 2016, num processo por agressões a uma jovem.

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Dirigentes do MPLA acusados de pedir favores

Mas Catraio diz que foi amnistiado e, desde então, já visitou os EUA e não teve problemas."Eu não quero ficar com o ónus que a cônsul nomeada não foi cumprir a sua função por causa do marido", afirmou Catraio, que acredita que altos quadros do Ministério estarão a dificultar a ida da sua esposa para Nova Iorque.

Contactada pela DW África, a vice-presidente do MPLA, Luísa Damião, "limpa as mãos" da polémica e atira a bola ao ministro Manuel Augusto."Eu acho que esta questão deve tratar com o Ministério das Relações Exteriores, porque o MPLA não nomeia quadros. Quem nomeia é o Ministério das Relações Exteriores. Portanto, este é um assunto da alçada do Ministério", conclui.

O gabinete do chefe da diplomacia angolana recusou pronunciar-se sobre o assunto.

Golpe na luta contra o nepotismo

O analista político Olívio Kilumbo considera que, a serem verdade estas informações, o Presidente João Lourenço acaba de sofrer um duro golpe. O ministro Manuel Augusto e Luísa Damião são tidos como dois grandes aliados de Lourenço na luta contra o nepotismo e amiguismo, que o Estado tem estado a empreender.

"É um momento de muita ingenuidade política, a ser verdade. Para um ministro e para a situação em que o país se encontra hoje, que requer muita perspicácia, muito cuidado nas ações, evitando manchar o que estava manchado, evitando pôr em cheque a imagem de todo um partido e toda uma República, sobretudo do senhor Presidente, que vem somando falhanço atrás de falhanço", considera.

O analista e jornalista freelancer Mário António entende que, mais do que as consequências políticas, o assunto deve ser resolvido nas barra dos tribunais, "para conferir a verdade dos factos ".

"Temos outro elemento, que não tem nada que ver com este caso, mas que infelizmente é uma prática generalizada a nível do nosso país, que é das Pessoas Politicamente Expostas e de situações de tráfico de influência, que ocorrem em muitas outras situações. E isto devia ser objeto de uma legislação mais rigorosa", defende o analista.

Fonte do partido no poder em Angola assegurou que o caso já começou a mexer com os alicerces no Kremlin, como também é conhecida a sede do MPLA, e que a vice-presidente poderá ser inquerida no departamento de Disciplina e Auditoria do partido.

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