Cimeira Europa-África é um ″importante momento político″ | Internacional – Alemanha, Europa, África | DW | 17.02.2022

Conheça a nova DW

Dê uma vista de olhos exclusiva à versão beta da nova página da DW. Com a sua opinião pode ajudar-nos a melhorar ainda mais a oferta da DW.

  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Internacional

Cimeira Europa-África é um "importante momento político"

Palavras de Charles Michel no arranque da cimeira União Europeia-África. Neste que é o primeiro dia do evento, o Presidente francês elogiou o apoio prestado pelo Ruanda a Moçambique em Cabo Delgado.

Frankreich | Emmanuel Macron mit Senegals Präsident Sall und EU Rats Präsident Michel

Macky Sall, Presidente do Senegal e atualmente também da União Africana, Emmanuel Macron, Presidente de França, e Charles Michel, Presidente do Conselho Europeu

O presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, classificou, esta quinta-feira (17.02), a cimeira entre a União Europeia (UE) e a União Africana (UA), que agora arranca em Bruxelas, como um "importante momento político", por permitir "selar uma renovada relação estratégica".

"Este é um momento político importante. Todas estas reuniões têm sido marcos importantes e muitas outras também desempenharam um papel fundamental para nos ajudar a pensar a nossa parceria e a criar um novo paradigma", declarou Charles Michel.

Falando na cerimónia de abertura da cimeira UE-UA, que decorre até sexta-feira em Bruxelas, o líder do Conselho Europeu vincou "esta reunião deve ser um importante passo em frente para selar a renovada relação estratégica" entre os dois continentes".

"Não estamos aqui para fazer o que sempre fizemos. Partilhamos geografia, linguística, laços humanos, laços interpessoais, laços económicos e culturais, e temos uma história comum, com êxitos e também com dor. [...] Não podemos mudar o passado e, por isso, temos de reconhecer e compreender o que aconteceu e retirar daí as devidas lições para que, juntos, possamos conceber juntos um futuro mais robusto e mais sólido", salientou Charles Michel.

Exemplo de Moçambique

Por seu lado, o Presidente francês, Emmanuel Macron, defendeu "novas soluções" de cooperação em matéria de segurança e defesa com África, apontando como um bom exemplo o apoio prestado pelo Ruanda a Moçambique no combate a insurgentes em Cabo Delgado. 

Assistir ao vídeo 00:40

Imagens das tropas sul-africanas em Cabo Delgado

Intervindo no evento, na condição de presidente em exercício do Conselho da UE no semestre em curso, Emmanuel Macron abordou as várias mesas redondas temáticas de líderes europeus e africanos que se desenrolarão ao longo dos dois dias de trabalhos, entre as quais aquela consagrada à "paz, segurança e governação".

"Devemos completar o que estamos a fazer no Sahel e no Golfo da Guiné, como anunciámos esta manhã [no Eliseu], mas devemos também ajudar a construir novas soluções. O Ruanda, em cooperação com Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), ajudou por exemplo a fornecer uma reposta inédita para a situação em Moçambique", disse. 

O chefe de Estado francês acrescentou que é necessário também assegurar e acordar "o financiamento de tais operações" e promovê-las, apontando que é preciso "convencer as outras nações no seio das Nações Unidas a acompanhar este movimento".

O combate ao terrorismo foi também apontado pelo Presidente do Senegal e líder da União Africana (UA), Macky Sall,  na sua intervenção. 

"Trabalhemos juntos no reforço da nossa colaboração em matéria de paz, de segurança e de luta contra o terrorismo", disse.

O financiamento das economias africanas foi outra das propostas que apresentou, abordando o tema das dívidas nacionais e do impacto da pandemia da covid-19 no continente, apelando a um financiamento.

Frankreich | Emmanuel Macron mit Senegals Präsident Sall und Ghanas Präsident Akufo-Addo

Akufo-Addo, Presidente do Gana, Macky Sall, Presidente do Senegal e atualmente também da União Africana, e Emmanuel Macron, Presidente de França

Quanto à energia e alterações climáticas, Sall reiterou que as posições entre os dois blocos são "divergentes", lembrando que África não se considera responsável pelo aquecimento global, na medida em que "emite menos de 4% de dióxido de carbono" para a atmosfera.

"Pedimos simplesmente mais justiça climática e um acompanhamento por um período de transição que permita a África contribuir para reduzir o aquecimento global e, ao mesmo tempo, poder fornecer eletricidade aos 600 milhões de africanos", apelou. 

Também a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse que o setor da energia é prioritário, acrescentando que parte dos pelo menos 150 mil milhões de euros que África vai receber da estratégia 'Portal Global' deve ser aplicada em energias renováveis.  

"O desenvolvimento económico sustentado depende de um acesso fiável à energia", disse, acrescentando que "África tem energia solar, eólica e hidroelétrica em abundância". 

PALOP representados ao mais alto nível

Quase cinco anos depois da anterior reunião de líderes da UE e UA, celebrada em Abidjan em 2017, Bruxelas acolhe a VI cimeira, que contará com a participação de cerca de 70 delegações ao mais alto nível dos Estados-membros das duas organizações, incluindo Portugal e os países africanos de língua portuguesa (PALOP).

Os países africanos lusófonos estão todos representados ao mais alto nível na cimeira, como os chefes de Estado da Guiné-Bissau, Moçambique e de São Tomé e Príncipe, o vice-presidente de Angola e o primeiro-ministro de Cabo Verde.

Além dos 27 chefes de Estado e de Governo da UE e dos mais de 40 líderes dos países membros da UA que confirmaram a presença na cimeira, participarão vários "convidados externos", das mais diversas organizações, incluindo os diretores-gerais da Organização Mundial da Saúde (OMS), o etíope Tedros Adhanom Ghebreyesus, da Organização Mundial do Comércio (OMC), a nigeriana Ngozi Okonjo-Iweala, e da Organização Internacional para Migrações (OIM), o português António Vitorino.

Ausentes estarão quatro países que a União Africana suspendeu e não convidou para a cimeira de Bruxelas, dado terem sido palco de golpes de Estado, designadamente Burkina Faso, Mali, Sudão e Guiné-Conacri.