Eleições em África em 2026: o que está em jogo
26 de janeiro de 2026
À medida que vários países africanos se preparam para ir a votos em 2026, os resultados eleitorais irão moldar diretamente as lideranças, as prioridades políticas e a credibilidade democrática a nível interno, influenciando também alianças regionais e a cooperação em matéria de segurança global.
A DW faz um balanço das principais eleições previstas em África em 2026 e do que está em jogo.
Janeiro: Benim — tensões após uma tentativa de golpe falhada
As eleições legislativas tiveram lugar a 11 de janeiro no Benim, num contexto tenso após uma tentativa de golpe de Estado, frustrada apenas cinco semanas antes da votação.
Com juntas militares também no poder em dois dos vizinhos imediatos do Benim a norte — Burkina Faso e Níger —, espera-se pouca ou nenhuma alteração na composição dos 109 lugares da Assembleia Nacional, depois de os partidos pró-governo terem conquistado praticamente todos os assentos.
As eleições presidenciais estão marcadas para 12 de abril.
Janeiro: Uganda — continuidade contestada
O Presidente Yoweri Museveni conseguiu assegurar um sétimo mandato, com os resultados oficiais a indicarem que o líder octogenário obteve mais de71% dos votos no Uganda. O seu principal rival, Bobi Wine, obteve cerca de 24,7% e rejeitou o resultado, classificando-o como fraudulento. Museveni permanecerá no poder até 2031.
Embora os observadores eleitorais não tenham identificado provas de interferência significativa no ato de votação em si, o longo historial do país de intimidação, detenções e raptos de vozes da oposição criou um clima de "medo e erosão da confiança pública no processo eleitoral”, segundo observou o antigo Presidente da Nigéria, Goodluck Jonathan, que chefiou uma delegação de observadores da União Africana (UA).
Os relatos de repressão significativa contra o candidato da oposição Bobi Wine, num contexto de bloqueio da internet durante a votação, traçam um cenário preocupante para o futuro e voltam a levantar dúvidas sobre a legitimidade das eleições.
Março: República do Congo — vantagem do incumbente
A República do Congo realizará eleições presidenciais a 22 de março, sendo esperado que o Presidente de longa data Denis Sassou Nguesso mantenha o poder.
Nguesso, no poder desde 1997, enfrentará candidatos de vários grupos da oposição. No entanto, o centro de estudos norte-americano Freedom House refere que os grupos dissidentes enfrentam repressão severa no país, o que se reflete numa pontuação muito baixa em termos de direitos políticos e princípios democráticos.
Abril: Djibuti — estabilidade num contexto estratégico no Mar Vermelho
As eleições presidenciais noDjibuti deverão realizar-se até abril de 2026, com poucas perspetivas de mudança neste país localizado no Corno de África.
O atual Presidente, Ismail Omar Guelleh, de 78 anos, candidata-se a um sexto mandato.
A estabilidade política do país é acompanhada de perto por várias potências ocidentais e asiáticas, devido às suas bases militares estratégicas e à sua localização geopolítica junto ao Mar Vermelho.
Abril e outubro: Cabo Verde — modelo democrático
Em abril deverão realizar-se eleições legislativas em Cabo Verde, seguidas das eleições presidenciais em outubro de 2026.
A pequena nação de dez ilhas vulcânicas no Atlântico é conhecida pela sua forte tradição democrática, sendo classificada como o país mais democrático de África e superando muitos países a nível mundial.
Junho: Etiópia — ambiente eleitoral frágil
A 1 de junho, os etíopes irão às urnas pela primeira vez desde o fim da guerra do Tigré, entre a Frente Popular de Libertação do Tigré (TPLF) e as Forças de Defesa Nacional da Etiópia (ENDF), no final de 2022.
A Etiópia continua marcada por conflitos e tensões, especialmente nas regiões de Amhara e Oromia, o que dificulta a realização de eleições credíveis e inclusivas.
Agosto: Zâmbia — reformas e continuidade?
A 12 de agosto, a Zâmbia elegerá um novo presidente e um novo parlamento.
As reformas eleitorais introduzidas no ano passado ampliaram a Assembleia Nacional e incorporaram elementos de representação proporcional para reforçar o pluralismo.
O atual Presidente, Hakainde Hichilema, procura um segundo mandato, embora observadores e críticos continuem a debater aspetos da prática democrática sob a sua liderança.
Novembro: África do Sul — eleições locais como barómetro nacional
As eleições autárquicas na África do Sul, em novembro de 2026, irão medir o sentimento público em relação ao governo de unidade nacional (GNU), liderado pelo Presidente Cyril Ramaphosa.
Serão as primeiras eleições locais desde a formação do governo de coligação multipartidária em 2024.
Dezembro: Gâmbia — disputa presidencial
A Gâmbia deverá realizar eleições presidenciais a 5 de dezembro, com o atual Presidente Adama Barrow a candidatar-se a um terceiro mandato.
Barrow enfrenta elevados níveis de desaprovação a nível nacional, mas a fragmentação da oposição e o crescente desencanto dos eleitores poderão favorecer o líder em funções. As eleições legislativas estão previstas para o ano seguinte.
Dezembro: Sudão do Sul — conseguirá realizar as suas primeiras eleições gerais?
Com um historial de adiamentos sucessivos, permanece a incerteza quanto à realização das primeiras eleições gerais do Sudão do Sul, agendadas para 22 de dezembro.
O país mais jovem do mundo enfrenta uma das piores crises económicas desde a independência, em 2011, enquanto a guerra civil em curso no Sudão continua a bloquear importantes fontes de receita, como o pleno funcionamento dos oleodutos.
O julgamento por traição do antigo vice-presidente e líder da oposição, Riek Machar, veio agravar ainda mais o frágil acordo de paz, com os seus apoiantes a classificarem o processo como "politicamente motivado”.
Somalilândia — eleições num contexto de mudança de estatuto
A região autónoma da Somalilândia deverá também realizar eleições legislativas e autárquicas em 2026.
O território ganhou recentemente destaque depois de ter sido reconhecido como Estado independente por Israel no mês passado, provocando fortes reações na região e além-fronteiras.