Angola: Trabalhadores da Empresa Nacional de Pontes apelam ao Presidente | Angola | DW | 19.08.2018

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Angola

Angola: Trabalhadores da Empresa Nacional de Pontes apelam ao Presidente

Sem salários há quase 60 meses, dezenas de trabalhadores pedem a intervenção do Presidente da República para terem os pagamentos regularizados.

A intenção dos trabalhadores da Empresa Nacional de Pontes de Angola (ENPA) foi apresentada no último sábado (18.08), em Luanda, durante um protesto pelos 57 meses de salários atrasados. Agora, os profissionais pedem a intervenção de João Lourenço na resolução da situação, segundo informações da agência de notícias Lusa.

Promovida pela Central Geral de Sindicatos Independentes e Livres de Angola (CGSILA), a marcha de protesto contra o não-pagamento de salários há quase cinco anos partiu do largo do cemitério da Santa Ana e terminou no Largo das Escolas, centro de Luanda, e contou com a proteção da polícia angolana.

Dificuldades

"Para nós, cujos esposos não trabalham, estamos a sobrevier, muitos filhos não estudam por falta de condições e não há meios para nos sustentarmos", contou à Lusa Lurdes Narciso, acrescentando que "esperava uma reforma, porque já ultrapassei os 35 anos de serviço, mas não posso ir para a reforma porque a empresa não pagou os impostos na segurança social".

Angola, Gabriel Magalhães, Angestellter der National Company of Bridges und der Gewerkschaftler Mateus Muanza

Mateus Muanza, da comissão sindical da ENPA (à dir.)

Para a funcionária, de 58 anos, a situação pela qual passam os cerca de 400 trabalhadores daquela empresa pública é "desumana", pedindo por isso a intervenção do Presidente angolano, João Lourenço. "Estamos aqui a pedir às pessoas de direito que resolvam o nosso assunto o mais rápido possível, porque os filhos deles estão a estudar e eles não estão a sofrer como nós estamos a sofrer. Isso é desumano, não pode ser. Queremos mesmo que o Presidente João Lourenço olhe para o nosso caso".

Clamores também foram manifestados por Teresa Manuel Gunga, de 60 anos, que diz estar a sobreviver graças à boa vontade de familiares. "Não tenho dinheiro, sou viúva, para comer dependo da boa vontade da minha irmã, para sustentar as crianças não tenho comida", afirmou.

Sem respostas das autoridades

O 1.º secretário da comissão sindical da empresa estatal, Mateus Alberto Muanza, também clamou pela "intervenção urgente" do Presidente de Angola. "Exortamos o Presidente da República, como chefe do executivo, a intervir de forma urgente e rever esta situação que está a acontecer na Empresa Nacional de Pontes", observou, sublinhando que os trabalhadores já endereçaram cartas ao chefe de Estado e outras entidades oficiais do país. "Mas, infelizmente, até hoje não obtivemos qualquer resposta", lamentou.

Por sua vez, o secretário-geral da CGSILA, Francisco Jacinto, referiu que, depois da marcha realizada no sábado, a central sindical vai dar outros passos no sentido de ver solucionada a situação dos atrasados. 

No início deste mês, o ministro da Construção e Obras Públicas de Angola, Manuel Tavares de Almeida, anunciou que a empresa estatal de pontes vai ser privatizada, e sem avançar um horizonte, garantiu apenas que decorriam trabalhos para "relançar a firma e liquidar os atrasados".

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