Amílcar Cabral e a libertação coletiva | História de África - Raízes Africanas | DW | 18.09.2017
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História de África

Amílcar Cabral e a libertação coletiva

Envolvido na luta pan-africanista, Amílcar Cabral foi o "pai" da independência da Guiné-Bissau e Cabo Verde do colonialismo português. Foi assassinado, em janeiro de 1973, sem ver o seu objetivo alcançado.

Nascimento: em 1924 em Bafatá, na Guiné-Bissau. Filho de pais cabo-verdianos, Amílcar Cabral cresceu em São Vicente, Cabo Verde. Estudou agronomia em Lisboa, tendo mais tarde regressado à Guiné-Bissau. Foi assassinado a 20 de janeiro de 1973 na Guiné-Conacri.

Reconhecido: por ter sido um dos co-fundadores do Partido Africano pela Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) em 1956 e ter assumido o cargo de seu secretário-geral, unindo ambos os países na luta contra o domínio colonial português. O PAIGC levou a Guiné-Bissau à sua independência em 1973. Cabral era um pan-africano, agrónomo e poeta.

Criticado: por não aceitar importar modelos de luta estrangeiros para a Guiné-Bissau

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Amílcar Cabral e a libertação coletiva

Inspiração: Amílcar Cabral foi uma inspiração não só para outros movimentos de libertação nos países de língua portuguesa em África, mas também no mundo. Em Lisboa, ajudou a fundar o Centro de Estudos Africanos, uma associação de estudantes provenientes da África Lusófona, e que manteve contacto com várias figuras como os angolanos Agostinho Neto, Mário Pinto de Andrade ou o moçambicano Marcelino dos Santos.

Frases famosas:

O povo africano sabe bem que a serpente pode mudar de pele, mas é sempre uma serpente.

Nós nunca confundimos o "colonialismo português" com o "povo português". A nossa luta é contra o colonialismo português.

Se alguém me há de fazer mal, é quem está aqui entre nós. Ninguém mais pode estragar o PAIGC, só nós próprios.

Controverso: Amílcar Cabral foi morto em Conacri por um membro que se acredita ser do seu próprio partido e estar sob ordens portuguesas. Esta ligação causou muitas especulações acerca do verdadeiro responsável pela morte de Cabral. Diz-se que se sabe quem o matou, mas não quem ordenou a sua morte.

DW Videostill Projekt African Roots | Amílcar Cabral, Guinea Bissau, Kapverden (Comic Republic)

Amílcar Cabral foi assassinado em janeiro de 1973, na Guiné-Conacri.

Em agosto de 1959, os colonialistas portugueses responderam violentamente a uma manifestação dos trabalhadores do porto de Bissau que exigiam melhores condições de trabalho. Cerca de 50 trabalhadores foram mortos e centenas ficaram feridos.

Sabe-se que o protesto, que ficou conhecido como o "Massacre de Pidjiguiti", foi encorajado pelo Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), fundado, entre outros, por Amílcar Cabral.

O guineense considerava que a educação era a arma mais importante para a libertação, no entanto, não pode evitar os conflitos armados na sua luta pela independência do país onde nasceu.Segundo Tony Tcheka, jornalista guineense, "Amílcar Cabral era um homem da paz que foi obrigado a fazer a guerra para conseguir a paz”.

Aos 35 anos de idade, o "pai da Guiné-Bissau” – como é apelidado – era um homem com muitas competências. Apesar de ter nascido em Bafatá, na Guiné Bissau, cresceu em Cabo Verde. Estudou agronomia em Lisboa, onde teve contacto com vários ativistas que defendiam a independência das colónias portuguesas. Em 1952, o também poeta regressou ao seu país natal, intensificando, nos anos seguintes, a sua luta pela independência da Guiné-Bissau.

Para Tony Tcheka, uma das chaves de sucesso da luta de Amílcar Cabral prende-se com o facto deste ter juntado os melhores ativos de cada um dos seus dois países de origem, ou seja, "a força, a decisão e a combatividade do homem guineense ao factor conhecimento que já existia em Cabo Verde”. 

"Libertação como processo coletivo"

Sónia Borges, historiadora luso-caboverdiana, frisa o facto de, e apesar das características locais desta luta, Amílcar Cabral ter mantido sempre o contacto com outros movimentos independentistas africanos. "O internacionalismo e a solidariedade internacional sempre foram muito importantes para Amílcar Cabral e o facto de este pensar a libertação como um processo colectivo, cada um com as suas próprias especificidades nacionais, fez dele uma figura de referência em todos os contextos”, afirma.

Ainda assim, lembra Tcheka, Amílcar Cabral disse que "a única condição que nós impomos para que nos ajudem é que não nos imponham condições”. O político guineense afirmou ter dado a conhecer esta posição não só aos cubanos, mas também à China de Mao Tse Tung e à então União Soviética, países que apoiaram o PAIGC, tanto nos treinos para a sua guerrilha, como com armamento militar.

A história mostrou que Amílcar Cabral estava certo. A luta armada do PAIGC desenhou o caminho para a independência da Guiné-Bissau declarada, unilateralmente, em setembro de 1973 e a de Cabo Verde cerca de dois anos mais tarde. Portugal só reconheceu a independência da Guiné-Bissau em setembro de 1974.

Amílcar Cabral não viu, no entanto, a sua vitória ser alcançada. O político foi assassinado em janeiro de 1973, na Guiné-Conacri. Nunca se soube ao certo quem esteve por trás do seu assassinato.

O projeto "Raízes Africanas" é financiado pela Fundação Gerda Henkel.

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