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Economia

Tio Sam mandou

Ameaçada de boicote pelos EUA, de onde recebe 20% de suas encomendas, ThyssenKrupp paga caro para diminuir participação do Irã em seu capital acionário. Escândalo pouco repercute na Alemanha.

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Empresa alemã curva-se à ameaça dos EUA

O caso é um escândalo. Nem por isso a imprensa alemã, muito menos o governo e os empresários puseram a boca no trombone para protestar. Diante das já abaladas relações teuto-americanas e exatamente em meio ao encontro empresarial bilateral em Washington, o ajoelhar-se do maior grupo siderúrgico da Alemanha às ameaças do governo Bush recebeu espaço discreto no noticiário alemão.

Segundo a ThyssenKrupp, a compra de 16,9 milhões de ações, que estavam em mãos da IFIC Holding, do Irã, visou impedir que o grupo sofresse um iminente e enorme prejuízo. Em sua sede em Düsseldorf, a diretoria do conglomerado evitou dar mais informações. O negócio baixou a participação iraniana no capital do conglomerado de 7,79% para menos de 5%, deixando apenas a Fundação Krupp (20%) e a Fundação Thyssen (5%) como grandes acionistas.

Alto preço para manter negócios

Ein Hochofen von Thyssen Stahl

Alto-forno da usina da ThyssenKrupp em Duisburg

Não é de hoje que a legislação dos EUA ameaça boicotar empresas cujos proprietários sejam de países malquistos por Washington. No meio empresarial, fala-se entretanto de que a lei seria agora aplicada com maior rigor. E a ThyssenKrupp tem negócios a zelar. De suas encomendas, 20% vêm dos Estados Unidos, o equivalente a quase 8 bilhões de dólares de faturamento. Na terra do Tio Sam, o grupo tem sobretudo a indústria automobilística como cliente, além de vender elevadores.

O conglomerado pagou caro para afastar o perigo de entrar na lista negra do Pentágono. Sujeitou-se a desembolsar três vezes mais do que o valor da cotação de suas ações na bolsa num total de 406 milhões de euros. Para uma empresa engajada no momento em amortizar suas dívidas, a transação soa a um golpe. A direção do grupo assegura que ela, entretanto, terá pouca influência no balanço, pois as ações compradas serão revendidas a médio prazo. Na bolsa, entretanto, a cotação despencou 5,8% no dia do anúncio da manobra.

Diário critica Washington

Galerie Top-Manager Ekkehard Schulz, Vorsitzender von Thyssen Krupp

Ekkehard Schulz, presidente da ThyssenKrupp

Apesar de sua dimensão e suas razões, a transação ganhou pouco espaço na imprensa alemã. Empresários e governo não correram aos microfones para protestar. Uma das criticas isoladas veio da versão alemã do jornal Financial Times, para o qual Washington foi longe demais.

"Os EUA deixaram logo claro que sua luta contra o 'Eixo do Mal' não seria levada apenas politicamente. A Europa podia viver com isto, enquanto as medidas econômicas limitavam-se ao congelamento de contas e coisas similares. Com o caso ThyssenKrupp, a política norte-americana estabeleceu um novo patamar, nada fácil de aceitar", comentou o diário.

"A pressão da América levou a uma intervenção despótica no mercado de capitais", denuncia o FTD. Na opinião do Financial Times Deutschland, a direção do conglomerado não teve escolha e os europeus devem condenar o episódio nos grêmios internacionais competentes. Mais adiante, o jornal concluiu: "Punir uma empresa, da qual o xá da Pérsia assumiu uma parte das ações em meados dos anos 70 (N.R.: ou seja, antes da Revolução Islâmica), tem pouco a ver com a efetiva luta contra os estados vilões."

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