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Cultura

Sem lugar em Hollywood

Cerimônia de entrega do Oscar contou com manifestos abertos e velados contra a guerra. O longa alemão "Sem Lugar na África" foi premiado como melhor filme estrangeiro, na ausência da diretora.

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Caroline Link: primeira estatueta para a Alemanha nos últimos 23 anos

Esperava-se de todos os presentes que escondessem qualquer rastro de emoção, afinal, estavam ali profissionais da encenação, capazes de ocultar esse ou aquele sentimento sem maiores dificuldades. Sem o tapete vermelho de costume, Hollywood, que fica a milhares de quilômetros do Iraque, mandou ver. Entre uma e outra notícia da guerra, o mundo voltou seu olhar para a meca do cinema, mesmo que só para saber até que ponto seria possível ignorar o conflito que, de uma forma ou de outra, abala os EUA.

Apesar de todos os conselhos para que ficassem bonitinhos, caladinhos e bonzinhos, alguns dos presentes abriram a boca. O mais veemente deles foi o diretor Michael Moore, que levou um Oscar pelo documentário Tiros em Columbine. Moore aproveitou seus 45 segundos de tempo, oferecidos a todos os premiados, para expor seu protesto: "nós somos contra a guerra, sr. Bush! Envergonhe-se, sr. Bush. Seu tempo já passou!". Fora os protestos nos rápidos discursos de agradecimento, Hollywood fez com que tudo corresse como de costume, embora a existência da guerra tenha pairado como uma espécie de véu sobre as comemorações.

Filha doente - A Alemanha, 23 anos depois da premiação de O Tambor, de Volker Schlöndorff, levou o Oscar de melhor filme estrangeiro, que ficou com Sem Lugar na África, de Caroline Link. "Estou felicíssima", disse a diretora de sua casa em Munique, de onde não se deslocou para participar da cerimônia de entrega da estatueta, porque "tinha que cuidar da filha de sete meses que estava doente".

O longa de Link conta a saga de uma família de judeus alemães, obrigada a emigrar para a África durante a fuga do holocausto da Segunda Guerra Mundial. No Quênia, os protagonistas do filme vêem-se obrigados a enfrentar não só o conflito de culturas, mas principalmente problemas de ordem pessoal.

Ajuda ao cinema alemão - O Oscar para Sem Lugar na África promete ser um trunfo não apenas para o próprio filme, mas para toda a comercialização do cinema alemão nos EUA. "É um sucesso absoluto", disparou entusiasmado o produtor Peter Herrmann, em Hollywood, após a "não entrega" do prêmio, pois as regras da Academia não permitem que o produtor receba a estatueta no lugar da diretora.

Caroline Link, hoje com 38 anos, teve sua paixão pelo cinema despertada durante um estágio na produtora Bavaria Film Studios, antes de participar de alguns filmes como roteirista e assistente de direção. Em 1996, Link alcançou reconhecimento internacional com o sensível A Música e o Silêncio, também indicado para o Oscar e vencedor de uma série de outros prêmios em todo o mundo.

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