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Cultura

A "cultura do medo"

Chega aos cinemas alemães o documentário americano "Bowling for Columbine". Michael Moore oferece uma inteligente reflexão sobre um país – os EUA – marcado pela violência e a obsessão pelas armas.

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Moore examina um fuzil recebido de presente de um banco

O filme foi a surpresa do último Festival de Cannes: o primeiro documentário a ser aceito na competição oficial, em 46 anos. E com razão. Partindo da matança ocorrida no colégio americano de Columbine, em 1999, o longa-metragem faz um balanço da atitude dos americanos, para os quais a felicidade – protegida pela Constituição – está numa arma de fogo fumegante.

O documentário, premiado em Cannes, oferece imagens capazes de deixar atônito o público europeu. Aproximadamente 250 milhões de armas de fogo circulam legalmente nos Estados Unidos. Elas são vendidas em qualquer supermercado e recebidas de presente de alguns bancos, quando se abre uma nova conta corrente.

Psicose da violência

Com entrevistas, imagens de intervenções policiais, reportagens da televisão, desenhos animados e muitos comentários próprios, Moore faz a sua análise sociológica no ritmo acelerado de um video-clip.

Uma das cenas mais impressionantes é a entrevista feita com o ator Charlton Heston, que durante décadas foi o presidente da "American Rifle Association", o poderoso lobby da indústria americana de armas. Moore desafia Heston pelas suas declarações públicas em defesa da posse de armas. Ao ser confrontado com a fotografia de uma vítima inocente, morta por disparos de armas de fogo, o famoso ator – irado – expulsa Moore de sua casa.

Os Estados Unidos são os campeões mundiais no número de pessoas mortas com armas de fogo: cerca de 11 mil por ano. No vizinho Canadá, o número de vítimas não passa de 65 por ano. Na Alemanha, foram registradas apenas 298 mortes por disparos de armas de fogo, em 2001.

Cultura do medo

"Penso que existe uma diferença básica no material genético cultural dos Estados Unidos e da Alemanha", afirma Michael Moore numa entrevista ao semanário alemão Der Spiegel. Na sociedade alemã, decidiu-se assumir uma preocupação recíproca entre as pessoas. Ao contrário disto, segundo Moore, a ética social nos EUA é a do salve-se quem puder: "Vocês decidiram, há muito tempo, resolver os problemas da pobreza. Por isto, a baixa cota de vítimas na Alemanha não se explica apenas pelo fato de ninguém ter uma espingarda no armário, mas sim porque criaram uma sociedade na qual a gente não se mata mutuamente."

Moore ressalta que o problema fundamental não tem que ver com as armas. "Trata-se da neurose social e psicológica que temos nos Estados Unidos: uma cultura do medo, que nos faz armazenar armas em casa. Para que todas estas armas? Medo de que?" Moore não dá respostas. Mas as suas perguntas são corretas.