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Cultura

A Alemanha, o Oscar e a guerra

Os conflitos entre Berlim e Washington não impedem que o cinema alemão consiga seu lugar no mercado norte-americano. Para Hollywood e a indústria que gravita a seu redor, abstenção é palavra de ordem frente à política.

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"Sem Lugar na África", de Caroline Link, indicado para o Oscar de melhor filme estrangeiro

"A cerimônia de entrega do Oscar deverá acontecer mesmo em caso de guerra", afirmou há pouco Frank Pierson, o presidente da Academia, reafirmando o que já era de se esperar. A noite de gala com "o vencedor é..." deverá seguir normalmente seu curso no próximo 23 de março, não importando se o governo do país bombardeia o Iraque ou quem quer que seja.

Apesar dos insistentes apelos de diversos diretores e atores durante o último Festival Internacional de Cinema de Berlim – inclua-se aí George Clooney, Spike Lee e Dustin Hoffman, entre outros – a entrega do Oscar não deverá permitir qualquer discurso de teor político ou antibélico. Nos 45 segundos oferecidos aos vencedores, haverá provavelmente tempo apenas para o "estou muito feliz por estar aqui".

Proximidade e distância - Um envolvimento direto em questões como a guerra de George W. Bush contra o Iraque seria demasiado amargo para os parâmetros água com açúcar da Academia. De fórum político ou plenário de discussões, as lantejoulas da noite de entrega do Oscar devem manter distância. No entanto, apesar das dissonâncias (cada vez mais fortes) entre Berlim e Washington, a indústria cinematográfica alemã festeja uma espécie de ressurreição do cinema do país no mercado norte-americano.

Considerando que o cinema alemão ainda é associado nos EUA a nomes como Wim Wenders ou Rainer Werner Fassbinder, a chegada de novos filmes pode significar uma revolução no mercado, acredita Peter Herrmann, produtor de Sem Lugar na África, de Caroline Link, que concorre este ano ao Oscar de melhor filme estrangeiro. "A situação está mudando. Os americanos estão começando a conhecer essa nova geração de cineastas", observa Herrmann.

Link participou há cinco anos da corrida ao Oscar com A Música e o Silêncio, tendo saído de mãos vazias. No entanto, mesmo fora do âmbito da premiação máxima, alguns filmes alemães conseguiram ultrapassar as fronteiras dos cineclubes na terra de Hollywood. Lola, Corre, Lola, por exemplo, de Tom Tykwer, foi um verdadeiro sucesso de público nos EUA. O mesmo vale para a comédia Simplesmente Martha, de Sandra Nettelbeck.

Curta de animação - Na categoria de curtas, a Alemanha tem sido também lembrada. Este ano, o país está representado por Das Rad ( A Roda), de Georg Gruber, uma animação de oito minutos e meio. "Esperamos que a Academia, dois anos depois do Oscar concedido a Florian Gallenberg ( Quiero Ser), deixe-se mais uma vez convencer pela qualidade narrativa e de produção do cinema alemão", espera o diretor Gruber.

Seu Das Rad já passou por mais de cem festivais, tendo levado até agora 25 prêmios. "Estamos muito felizes de ter chegado tão longe", completa Gruber, referindo-se à indicação para o Oscar, prova do espaço cada vez maior delegado à Alemanha nos meandros da Academia. Um exemplo inversamente proporcional à Casa Branca, diriam os diplomatas de Berlim.

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