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Ciência e Saúde

Perguntas e respostas sobre o "Viagra feminino"

Recém-liberado nos Estados Unidos, o flibanserin funciona de maneira diferente da pílula azul. Por atuar no sistema nervoso central das mulheres, medicamento só deve ser prescrito após diagnóstico abrangente.

Nesta semana, a droga flibanserin teve

sua comercialização autorizada nos Estados Unidos

. Apelidado de "Viagra feminino", o medicamento promete aumentar a satisfação sexual de mulheres que sofrem com a falta de libido.

Ainda sem previsão para a comercialização no Brasil, o medicamento levanta muitas dúvidas. Fomos atrás de algumas respostas:

Qual é a diferença entre o flibanserin e o Viagra?

Viagra é para homens que têm desejo sexual, mas não conseguem fazer sexo. Já o flibanserin é indicado para mulheres que conseguem ter relações sexuais, mas simplesmente não têm vontade.

O princípio ativo do Viagra, o sildenafil, dilata os vasos sanguíneos. A droga foi desenvolvida originalmente para o tratamento de hipertensão e angina, um distúrbio de circulação de sangue no coração. Assim, o Viagra ajuda na ereção ao facilitar a irrigação dos vasos sanguíneos no pênis.

O flibanserin, por sua vez, atua no sistema nervoso central. O "Viagra feminino" age sobre diferentes receptores nos neurônios e altera o funcionamento dos neurotransmissores responsáveis por controlar as funções sexuais. Por um lado, a nova droga inibe a produção de serotonina, hormônio responsável por reduzir a libido. Por outro lado, estimula a produção de dois outros hormônios: a dopamina (chamado de "hormônio da felicidade") e a noradrenalina, que estimula a circulação.

Já posso comprar o medicamento?

Não. A agência responsável por regulamentar alimentos e remédios nos Estados Unidos (FDA)liberou as vendas do flibanserin nos Estados Unidos na última terça-feira (18/08), mas médicos só têm autorização de receitar o medicamento a pacientes que estejam sofrendo de transtorno do desejo sexual hipoativo, conhecido como frigidez. Além disso, o remédio só pode ser prescrito para pessoas que não estejam passando por outros problemas físicos ou psicológicos, como depressão. Por fim, o flibanserin só pode ser prescrito para mulheres que ainda não tenham chegado à menopausa. A droga ainda não foi aprovada na maioria dos países.

Existem riscos?

A possibilidade de haver efeitos colaterais é a razão pela qual o remédio só pode ser vendido com receita médica. O flibanserin reduz a pressão arterial e pode até causar desmaios. O risco é ainda maior se a paciente consumir álcool durante o tratamento.

Além disso, o princípio ativo interage com outros remédios do grupo de inibidores da enzima CYP3A4, incluindo medicamentos para infecções causadas por fungos na pele, alguns anticoncepcionais e antirretrovirais utilizados no tratamento do HIV.

Qual é a demanda para o "Viagra feminino"?

É difícil dizer, pois existem vários fatores externos em jogo. Quando uma mulher passa por um período de baixo interesse sexual, isso é uma condição médica ou uma fase normal da vida dela?

A resposta depende, em parte, do meio social em que a pessoa vive, das expectativas do parceiro sexual e da influência de amigos, parentes e da mídia. O problema sexual das pacientes também está relacionado às seguintes questões: a libido é afetada por sentimentos de culpa, inferioridade ou agressão? E, seja num nível subconsciente ou mesmo consciente, ela quer se separar ou se divorciar do parceiro e isso está afetando a vontade de se relacionar sexualmente com ele?

Em outros casos, é fácil encontrar as razões para a falta de libido. Os motivos podem incluir mudanças hormonais causadas por medicamentos, estresse pós-traumático, como no caso de estupro, ou depressão – condição que exclui o uso de flibanserin.

Também costuma haver falta de libido após a gestação e o parto, devido a alterações naturais nos hormônios. Nessas circunstâncias, o tratamento médico costuma não ser recomendável, pois é normal que esses sintomas eventualmente desapareçam.

Logo, é provável que o medicamento só seja prescrito após um diagnóstico abrangente. E em muitas situações, psicoterapia ou terapia de casal pode ser a melhor solução.

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