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Cultura

Colagem, a sucessora do grafite

Uma nova tendência desponta na arte de rua. É a colagem ou poster art, que substitui o grafite e ganha cada vez mais adeptos. Seja no Brasil ou na Alemanha, os artistas rebeldes estão deixando marcas na paisagem urbana.

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Novo estilo de arte nas ruas

Quem observar com certo cuidado a paisagem das grandes metrópoles do mundo, vai perceber uma mudança significativa: a presença de posters, cartazes, colagens em papel pintado ou colorido, grudados nos muros, postes, paredes, caixas de luz e onde mais a imaginação e o espaço permitirem.

Este novo tipo de arte popular é chamada de “pós-grafite”,“ arte urbana” ou “poster art”. O mais importante não é escrever frases ou assinar o nome, como costumavam fazer os grafiteiros e adeptos do spray de outrora, e sim registrar um pensamento crítico ou de protesto através da imagem/ colagem de cartazes.

Sticker Straßenkunst Freiburg Deutschland

Colagem na Alemanha

Considerada pelos teóricos como um movimento de libertação da sub-cultura, a arte de rua é geralmente discriminada e vista como um mero ato de rebeldia dos jovens pela população e condenada pelas autoridades. A proposta deste tipo de expressão artística é criar um contraponto ao panorama convencional nas cidades, repletas de cartazes de propaganda e outros apelos visuais.

A colagem, apontada como “intervenção urbana” pelos críticos brasileiros de arte, é despojada de compromissos com qualquer estilo ou ideologia. Trata-se de uma arte livre que não tem como meta prioritária marcar presença em museus ou galerias. Seu lugar é nas ruas. O fato de ser tão ilegal quanto o grafite, é secundário para seus adeptos.

Entendido no assunto

Sticker Straßenkunst in Arles, Frankreich

Colagem na França

O alemão Axel Thiel, 55 anos, estuda o grafite há quase 30 anos. Como poucos, ele acompanhou o processo de transformação da arte de rua. E não apenas como mero observador. Deste o dia em que descobriu este tipo de expressão artística, ao ver uma série de grafites sentado no banheiro da Universidade de Kassel, ele documenta e arquiva tudo o que considera interessante.

Com a autoridade de um entendido no assunto, Thiel condena o fato de os “jovens e extremamente criativos” adeptos da arte de rua, serem incriminados pelo trabalho de grafite ou colagem que fazem na paisagem urbana. Afinal, garante o alemão, eles contribuem para que os pintores tenham sempre o que fazer.

Sticker Straßenkunst in Amsterdam

Colagem na Holanda

Segundo cálculos próprios, são gastos cerca de 70 bilhões de dólares por ano para a retirada de grafites de locais públicos e particulares. Quando pegos, os grafiteiros são penalizados e enfrentam processos de indenização que podem chegar a somas milionárias de até 250 mil euros, como já aconteceu. No caso das colagens, a punição, pelo menos por enquanto, é bem mais amena, esclareceu Thiel. Este aspecto também teria contribuído para a proliferação da colagem no meio urbano.

Sucesso mundial

Christian Hundertmark, conhecido como C100, é um artista de 29 anos ligado à arte de rua. Recentemente, ele publicou o livro The Art of Rebellion, já com edição esgotada, que reúne colagens de artistas internacionais. Boa parte são ex-grafiteiros entre 29 e 35 anos que encontraram na colagem uma nova forma de expressão.

C100, formado em design gráfico, também já foi adepto do grafite e hoje curte a colagem. Ao elaborar seu livro, ele montou uma rede mundial de contatos e agora organiza a primeira exposição da arte de colagens em galerias de Londres e Munique. Afinal, o reconhecimento faz parte da ambição do artista, mesmo que ele seja considerado um contraventor.

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