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Cultura

Capa ganha retrospectiva em Berlim

Após August Sanders e Henri Cartier-Bresson, o Martin-Gropius-Bau reafirma seu interesse pela fotografia com a primeira grande retrospectiva de Robert Capa na Alemanha, 50 anos após sua morte.

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Foto de um soldado baleado da milícia espanhola o tornou famoso mundialmente

Robert Capa foi o grande nome da fotografia de guerra, o símbolo de uma geração que fazia questão de ver as coisas de perto, e esse era o justamente o seu lema: "Se sua fotografia não é boa o suficiente, você não está próximo o suficiente". Para celebrar o qüinquagésimo aniversário de sua morte, a Bibliotèque Nationale francesa organizou a primeira grande retrospectiva de sua obra, que agora chega a Berlim.

A mostra reúne 300 originais apresentados cronologicamente. A curadoria abriu mão de grandes impressões e optou por apresentar as fotos nas dimensões originais, como foram editadas em redações com fins informativos. Vitrines com extratos de revistas e jornais nos quais foram publicadas ressaltam seu caráter jornalístico.

Tudo isso, na verdade, respeita a maneira como Capa encarava sua profissão. Afinal, ele nunca se viu como artista, mas como jornalista e, em vida, nunca presenciou uma exposição de suas obras: quem as conhecia, as tinha visto em publicações como Life, Vu, Regards ou Match.

Viver para contar a história

Segundo o jornal Frankfurter Allgemeine Zeitung, "quanto mais tempo você passa nesses corredores, mais claro fica o significado que as fotos tinham para Capa. (...) As séries criam um magnetismo que transfere o observador para os lugares onde Capa esteve. Elas adquirem um caráter direto, que nem as imagens da TV nem cada uma das fotos isoladamente jamais obterão".

Robert Capa - Retrospektive

Café na avenida Kurfürstendamm, em Berlim, em agosto de 1945, pouco após o fim da guerra

Na exposição, pode-se acompanhar as diversas estações de sua vida: a Guerra Civil espanhola (1936–1939), a resistência chinesa contra a ocupação japonesa (1938), a Segunda Guerra Mundial (1941–1945), a chegada dos Aliados à costa da Normandia (1944), a invasão dos países árabes a Israel (1948) e, por último, a Guerra da Indochina, na qual faleceu após pisar em um mina.

De fato, quem observa as fotos de Capa pergunta-se o tempo todo o que é que o fotógrafo estava fazendo lá naquele momento, afinal os riscos saltam aos olhos. Mas Capa queria contar a história com sua câmera, e sua vida foi dedicada a esse propósito.

Um filho do século 20

De família judaica, Endre Erno Friedmann nasceu em Budapeste em outubro de 1913. Em 1932, teve de deixar o país e partiu para Berlim, onde se inscreveu na Faculdade de Política. De 1932 a 1933, trabalhou para a agência Dephot, para quem fez sua primeira fotorreportagem: ele fotografou Leon Trotzky, na época exilado em Copenhague.

Quando os nazistas tomaram o poder, partiu para Paris, onde conheceu André Kertész, David Seymour e Henri Cartier-Bresson. Em 1934, conheceu Gerda Pohorylle, que também fugira da Alemanha, e a amizade entre os dois floresceu. Eles começaram a trabalhar juntos e assumiram novos pseudônimos: ele se tornou Robert Capa e ela, Gerda Taro.

Ambos se engajaram como fotógrafos para cobrir a Guerra Civil espanhola – Capa fez lá a foto que o tornou internacionalmente famoso, mas Gerda Taro nunca mais voltou. Em sua honra, Capa publicou o trabalho conjunto Death in the making.

Em 1939, se mudou para os Estados Unidos, onde trabalhou para revistas como Life e Collier's. De 1940 a 1945, voltou à Europa para cobrir a Segunda Guerra Mundial e foi o único fotógrafo a acompanhar as primeiras tropas aliadas à Normandia. Mas um erro no laboratório acabou destruindo a maior parte das fotos e apenas 11 restaram.

Em 1947, inaugurou junto com os amigos Cartier-Bresson, David Seymour e Wiliam Vanidvert a agência Magnum, contribuindo para estabelecer a condição de fotógrafo autônomo, que pode vender seu trabalho a diversas publicações.

"Retrospectiva Robert Capa" - Até 18 de abril no Martin Gropius Bau em Berlim. Aberto de quarta a segunda-feira.

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