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Cultura

Morte de Cartier-Bresson entristece Europa

Um dos maiores nomes da fotografia européia morreu pouco antes de completar 96 anos: Henri Cartier-Bresson. Grande retrospectiva do artista em Berlim poderá ser prolongada.

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O fotógrafo francês Henri Cartier-Bresson

A morte do fotógrafo e pintor francês Henri-Cartier Bresson, na noite de quarta-feira (04/08), no sul da França, causou grande consternação em toda Europa. Em Berlim, o paço de exposições Martin-Gropius-Bau pensa em prolongar a retrospectiva deste fotógrafo legendário que está sendo realizada desde meados de maio. A decisão depende, entre outras coisas, de os colecionadores e museus concordarem em ceder suas obras por mais um tempo. Cerca de setenta mil pessoas já visitaram a mostra que inclui 350 obras do fotógrafo morto aos 95 anos.

A descoberta da Leica ― O filho de industrial nascido em 1908 em Chanteloup, ao leste de Paris, estudou primeiro pintura, antes de se dedicar ao trabalho com a câmera na década de 30. Em 1931, o jovem artista foi passar um ano na Costa do Marfim, então colônia francesa, onde fez suas primeiras fotos. De volta à França, ele adquiriu uma câmera Leica, que viria a se tornar sua marca registrada. Em inúmeras viagens, em parte ao México, aos EUA e à Espanha, ele fez fotorreportagens, destacando-se como pioneiro deste novo gênero da fotografia na época.

Fotorreportagem e Magnum ― Após ser recrutado como soldado em 1939, Cartier-Bresson foi parar num campo alemão de prisioneiros em 1940. Três anos depois, ele conseguiu escapar, unindo-se à resistência francesa.

Após o fim da guerra, em 1947, ele criou em Paris a agência de fotografia Magnum, na companhia de fotógrafos como Robert Capa, David Seymour, William Vandivert e George Roger. Muitos dos padrões da atual fotorreportagem foram estabelecidos naquela época pela Magnum.

No centro dos acontecimentos ― Cartier-Bresson retratou importantes personalidades, como Jean-Paul Sartre, Henri Matisse e Edith Piaf. Ele ficou famoso pela ênfase ao moment decisif na fotografia e por suas composições bem construídas em preto-e-branco.

Cartier-Bresson fez reportagens em cenários historicamente relevantes, como a Espanha durante a Guerra Civil nos anos 30, Paris após a libertação pelos aliados em 1945 e a Rússia pós-stalinista em meados da década de 50. Em 1981, ele ganhou o Grande Prêmio de Fotografia da França.

Olho do século ― O presidente francês, Jacques Chirac, lamentou a morte de Hanri Cartier-Bresson, elogiando-o como "o mais talentoso fotógrafo da sua geração" e destacando seu mérito de fotografar o século 20 com paixão.

O premiê Jean-Pierre Raffarin o qualificou como o "olho do século" e representante de uma forma de observar que explora a imagem em todas as suas potencialidades. "Mosca na parede" ― "Sua habilidade especial era se tornar invisível com a câmera", comentou o fotógrafo alemão Thomas Hoepker, ex-presidente da Magnum, por ocasião dos 95 anos de Cartier-Bresson em 22 de agosto de 2003. "Ele era como uma mosca na parede, que ninguém vê."

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