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NOTÍCIAS

“Jomav, rua!” pedem manifestantes em Bissau

Guineenses exigiram este sábado (11.03) a demissão do Presidente José Mário Vaz, numa marcha organizada pelo Movimento de Cidadãos Conscientes e Inconformados.

Segundo o Movimento de Cidadãos Conscientes e Inconformados (MCCI), foram milhares os manifestantes que percorreram a principal avenida da capital guineense, do aeroporto internacional de Bissau até à Praça Mártires de Pindjiguiti, no centro da cidade. Num comício nas imediações do palácio da presidência, exibiram dísticos e lançaram apelos à classe política, dirigindo-se especificamente ao chefe do Estado, José Mário Vaz, a quem pediram que deixe o poder.

Luís Mendes, morador do bairro de Afia, na periferia de Bissau, exibe um cartaz onde se lê "Abaixo a ditadura”. O guineense de 35 anos, desempregado, diz à DW África que deixou a filha de três meses em casa, num sábado, para "lutar contra a ditadura e contribuir para a edificação da verdadeira democracia num Estado de Direito”.

Luís Mendes, que se afirma apartidário, acusa o Presidente guineense de pretender implementar a sua agenda própria para evitar que os seus aliados respondam perante a justiça pelos indícios de corrupção.

Protest in Bissau (DW/B.Darame)

Elementos da Polícia de Intervenção Rápida (PIR) presentes na manifestação

"Acha que é normal um Presidente demitir um governo eleito pelo povo soberano, sem apresentar provas das suas infundadas acusações, sem solução e nomear seus amigos e desconhecidos primeiros-ministros da Guiné-Bissau?”, questiona. "Quer que os adversários o aceitem como herói e santo”.

"Somos um país democrático, iremos lutar para preservar esses valores, se for possível, até à morte", garante Luís Mendes.

O cansaço do povo

Lesmes Monteiro, um porta-voz do Movimento de Cidadãos Conscientes e Inconformados, afirma que "este é um processo para despertar a consciência cívica da população guineense". "Não pretendemos subverter a ordem constitucional, não pretendemos afastar o Presidente por via da força, estamos a exercer a nossa cidadania de forma responsável", garante Lesmes Monteiro, que faz um balanço positivo da manifestação. Segundo o porta-voz, o MCCI conseguiu mobilizar milhares de apoiantes.

Em entrevista à DW Àfrica, Lesmes Monteiro afirma que o movimento pretende mostrar à comunidade internacional e nacional que "o povo guineense está exausto perante a incapacidade demonstrada pelo Presidente José Mário Vaz de resolver a crise que o próprio criou com o intuito de concentrar poderes na sua posse”.

"Sabemos que a competência do Presidente é garantir a estabilidade nacional, a unidade e a coesão entre os guineenses e o normal funcionamento das instituições, mas José Mário Vaz não consegue garantir o básico das suas atribuições constitucionais: nunca houve uma divisão de tamanha gravidade como agora na Guiné-Bissau", considera o porta-voz do MCCI.

Eleições são a solução, diz Movimento

Devido ao bloqueio institucional a que se assiste há mais de um ano e meio, Lesmes Monteiro aponta José Mário Vaz como o principal responsável pela crise e pede que renuncie ao poder de livre e espontânea vontade para salvar o país.

O MCCI defende a realização de eleições gerais como a única solução para garantir a estabilidade política e governativa, salvando as promessas de mais de mil milhões de euros obtidos durante a mesa redonda com os doadores internacionais, em Bruxelas, em 2015, antes de o Presidente derrubar o primeiro Governo Constitucional do PAIGC, partido vencedor das eleições, liderado por Domingos Simões Pereira, presidente do partido.

Ouvir o áudio 03:10

Lesmes Monteiro em entrevista à DW África

Neste sábado, o Presidente guineense inicia a sua primeira presidência aberta, sob o lema No Djunta Mon pa no Muda Guiné-Bissau (Unamo-nos para mudarmos a Guiné-Bissau), no leste do país, na região de Gabú, para auscultar o povo e dar a sua versão sobre a crise vigente.

Na sua página na internet, José Mário Vaz afirma que a presidência aberta irá permitir-lhe "compreender melhor as dificuldades" com que se depara a população. "É uma pouca vergonha este ato do Presidente. O povo está a passar miséria e o Presidente a esbanjar dinheiro sem qualquer sentido", considera Lesmes Monteiro.

O Movimento de Cidadãos Conscientes e Inconformados promete realizar, no próximo dia 25 de março, mais uma marcha pacifica para exigir a renúncia do Presidente.

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