Convenção da ONU debate minas antipessoais no Mundo | NOTÍCIAS | DW | 18.12.2017
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Convenção da ONU debate minas antipessoais no Mundo

Angola e Moçambique ainda sofrem com campos minados que afligem as populações. Estados integrantes da ONU reúnem-se em Viena na 16ª Convenção contra minas antipessoais.

Debater medidas para um planeta sem minas antipessoais até 2025 é a proposta principal do encontro da Organização das Nações Unidas (ONU), que segue até o dia 21 de dezembro, em Viena, na Áustria. Entretanto, a realidade parece longe desta meta. Pelo menos é o que afirma a angolana Patrícia Luis, que vem da província do Lubango, em Angola. 

A região era uma das mais afetadas com campos minados no mundo até que um trabalho delicado tem conseguido eliminar as bombas subterrâneas. Para Patrícia Luis, a Conferência da ONU serve não apenas para alertar outros países do mundo sobre a triste condição das pessoas que tentam sobreviver em meio as minas.

Segundo a ONU, 162 nações, ou seja, 80% dos países do mundo, são parte do acordo assinado há 20 anos. Neste período, 51 milhões de minas antipessoais foram destruídas.  O encontro em Viena, vai avaliar como colocar em prática o importante tratado da "Convenção sobre a Proibição de Uso, Armazenamento, Produção e Transferência de Minas Antipessoais e sobre a sua Destruição”.

"É muito importante para o mundo inteiro entender qual é a situação das pessoa que vivem na realidade das minas. A Conferência em Viena faz uma análise dos sistemas de desminagem que nós temos e procura melhorar a maneira de como as minas são retiradas", afirma Patrícia Luis.

"No caso de Angola, não estamos a falar de uma desminagem militar, é uma desminagem humanitária que é muito mais complicada. E os especialistas sabem dos processos que já são usados. Por isso, eles têm uma visão diferente devido ao tempo já dedicado ao trabalho e a partir daí eles podem melhorar todas as tecnologias que existem no momento", detalha Patrícia Luis, que trabalha em Angola para a Associação alemã de Pessoas Contra as Minas Antipessoais (MGM, na sigla em alemão).

Pisando onde não se conhece

O dia-a-dia difícil num lugar cheio de explosivos enterrados no solo levou Patrícia Luis, a incorporar a luta contra as minas antipessoais. E apesar de contar com financiamento da União Europeia, Alemanha, Itália e Japão, a angolana aponta que ainda faltam recursos para levar a cabo um trabalho ainda mais sério. 

"É muito difícil identificar onde estão as minas, principalmente em Angola, porque as bombas não foram colocadas com esboços e com mapas. Mas foram instaladas de forma irracional", sublinha a integrante da MGM.

Ouvir o áudio 03:41

Convenção da ONU debate minas antipessoais no Mundo

"O processo aqui para nós parece ser cada vez mais impreciso, diferente de como foi na Europa ou em outros países. Novos esboços e o contato com as pessoas que estão nesta realidade são fundamentais. A desminagem não é um processo barato, e leva tempo", enfatiza Patrícia Luis.

Apesar do trabalho há anos, Angola ainda permanece como um dos países mais perigosos do mundo em termos de minas antipessoais. Segundo duas organizações referências no assunto, a Handicap International e a Norwegian People's Aid o trabalho no país deve levar mais de oito anos, devido as grandes dificuldades com recursos, apoio dos governos e as localizações das minas.

Exemplo de Moçambique requer cuidados

Moçambique conseguiu proclamar-se livre dessas armas mortíferas, em 2015, algo que para a coordenadora da ONG Apopo, Ashley Fitzpatrick, merece comemoração mas atenção ao futuro.  Em África, a ONG belga trabalha há 20 anos com a desminagem e se ganhou reconhecimento pelo uso de ratos para identificação das bombas.

Angola, Angola-Ratten-Teams (Apopo ONG)

ONG Apopo: uso de ratos ficou famoso devido ao sucesso na luta contra as minas em África.

"É normal e faz parte do trabalho de remoção das minas mas existem o que chamamos de riscos residuais... ainda há tarefas a fazer, mesmo que desminando áreas completas. É o momento que só as autoridades locais podem assumir riscos em áreas suspeitas", declara, ao lembrar de casos com bombas mesmo nos últimos dois anos.

"Eu sou feliz por Moçambique desde que a Apopo concluiu a operação em 2015. Nós respondemos por algumas áreas isoladas. O risco hoje é muito pequeno embora seja maior na fronteira com a Tanzânia. Estamos ainda a analisar se é preciso uma intervenção maior".

A coordenadora da Apopo lembra que existe  alguns engenhos explosivos ainda nas chamadas machambas em Moçambique. Daí que convém lembrar que em outubro de 2017, quatro pessoas morreramna província da Zambézia, no centro de Moçambique, devido à explosão de uma mina antipessoal. De acordo com o porta-voz provincial da polícia, as vítimas teriam ativado a mina inadvertidamente na zona rural da região de Murothone.

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