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Angola

Angola: Enquanto a Sonangol celebra há trabalhadores que choram

Sonangol anunciou nesta segunda-feira (03.07.) bons resultados, depois de dois anos de uma crise na petrolífera. Mas estes lucros ainda não se refletem nos salários dos trabalhadores das empresas a quem a Sonangol deve.

Nesta segunda-feira (04.07.) a petrolífera anunciou um crescimento de 36% em 2016. A presidente do Conselho de Administração da petrolífera angolana, Isabel dos Santos, disse também que o país manteve a produção petrolífera, e apesar de todos os condicionalismos, manteve-se acima do valor de 1,700 milhão de barris de petróleo por dia, colocando Angola como primeiro produtor de petróleo em África.

O que terá ditado esse anunciado crescimento? O economista da Universidade Católica de Angola Francisco Paulo começa por recordar a marca da administração de Isabel dos Santos, dizendo que "a administração da Sonangol está a tentar reduzir os custos para tornar a companhia mais sólida."

E de seguida o académico apresenta dois fatores: "uma determinada melhoria do preço do barril do petróleo e isso fez com que a empresa tivesse mais receitas. Por outro lado, houve uma diminuição dos custos, o que é muito bom para a economia nacional porque a Sonangol é a principal empresa nacional e com a notícia de que conseguiu lucros é muito bom para o país e para a empresa em si."

Angola Isabel dos Santos spricht zu Journalisten

Isabel dos Santos, PCA da Sonangol

Por outro lado, ele sublinha que "é preciso lucro para que os financiadores tenham maior confiança nas políticas da empresa."

Isabel dos Santos é uma gestora extraordinária?

Sob a batuta de Isabel dos Santos várias medidas têm sido anunciadas com vista a redução de custos e igualmente bons resultados na Sonangol. Essas aparentes melhorias podem ser entendidas como o reflexo da competência de Isabel dos Santos como gestora?

Francisco Paulo esquiva-se de avaliar as qualidades da filha do Presidente de Angola, mas não deixa de responder: "Acho que qualquer outra pessoa no lugar podia conseguir isso, porque todos gestores querem que as suas empresas avancem e analisam o que devem fazer para poder melhorar a eficiência financeira e operacional da empresa."

Trabalhadores sem salários por causa da Sonangol

Se por um lado a galinha de ovos de ouro de Angola mostra estar no caminho certo, por outro tem dificuldades em honrar com os seus compromissos. A Sonangol terá dívidas com as suas empresas subcontratadas, o que põe em causa o pagamento de salários e subsídios de muitos trabalhadores.

Ölproduktion in Angola

Plataforma da Total em Angola

Miguel António é secretário-geral adjunto do STOSPA, Sindicato dos Trabalhadores Organizados do Setor Petrolífero e Afins de Angola, e revela: "Confirmo, sim, que há várias empresas que estão com atrasos no pagamento de salários. Há cerca de seis meses que a Sonangol não liquida as suas dívidas e há outras até que estão nessa situação há cerca de dois anos."

Petromar, Insulana, Sonasur e Pride são apenas algumas das empresas lesadas, segundo Miguel António. O sindicalista revela também que as subcontratadas estão de mãos atadas e solicitam mesmo uma intervenção do sindicato junto da Sonangol.

Mas Miguel António também reconhece as limitações do STOSPA: "A Sonangol é uma empresa estatal, não temos como intervir, depende muito do poder."

STOSPA desconfia dos resultados da Sonangol

E reagindo a boa nova da Sonangol, o sindicalista Miguel António mostra desconfiança:"Nós não diríamos que a situação da Sonangol está a melhorar, porque o que é dito é uma coisa e o que é praticado é outra. Ver para crer. E mesmo antes da baixa do preço do petróleo a Sonangol já tinha dívidas com algumas empresas."

Ouvir o áudio 04:48

Angola: Enquanto a Sonangol celebra há trabalhadores que choram

E António vai mais longe acusando a Sonangol de "prática de má fé. E muitas vezes não é porque a Sonangol não tem dinheiro, é porque ela não quer liquidar. É que fazem transparecer nos órgãos de comunicação de que tudo está a correr bem, mas tudo está a correr mal."

Convidado a argumentar sobre esse paradoxo entre o anunciado crescimento da petrolífera e o não pagamento das dívidas, o economista da Universidade Católica mostra-se cauteloso: "Não quero acreditar que se fez de propósito não pagar aos prestadores de serviço. Se eles realmente prestaram serviços devem receber a sua compensação."

Entretanto Paulo sublinha o seguinte: "Não podemos sacrificar as empresas que realmente prestam serviços a Sonangol com o objetivo de obter lucros. Provavelmente devem ter um contrato com a Sonangol e que no devido tempo serão pagos."

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