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EconomiaÍndia

Índia e União Europeia fecham acordo comercial histórico

27 de janeiro de 2026

Após 18 anos de negociações, conclusão do pacto foi acelerada pela guerra tarifária iniciada pelo presidente dos EUA, Donald Trump.

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António Costa, Narendra Modi e Ursula von der Leyen
Costa e Von der Leyen se reuniram com Modi em Nova Déli para o anúncioFoto: Altaf Hussain/REUTERS

A Índia e a União Europeia (UE) fecharam nesta terça-feira (27/01) um acordo comercial descrito por ambas como histórico e que unirá a segunda e a quarta maiores economias do mundo num mercado sem precedentes de 2 bilhões de consumidores, após 18 anos de negociações.

Os parlamentos da UE e da Índia ainda precisam aprovar o acordo, o que significa que levará algum tempo para que ele entre em vigor.

"Europa e Índia fazem história hoje. Fechamos o acordo mais importante de todos. Criamos uma zona de livre comércio para 2 bilhões de pessoas, da qual ambas as partes irão se beneficiar", escreveu a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, nas redes sociais.

Líderes de UE e Índia esperam que o acordo, que Nova Déli afirma ter sido finalizado nesta segunda-feira, ajude a proteger ambas as partes dos desafios impostos pela concorrência chinesa e pelas tarifas comerciais dos Estados Unidos.

"Pessoas em todo o mundo estão falando sobre esse acordo como a mãe de todos os acordos", disse o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, na terça-feira na capital indiana, antes de se reunir com Von der Leyen e o presidente do Conselho Europeu, António Costa.

"Este acordo trará muitas oportunidades para os 1,4 bilhão de habitantes da Índia e para milhões de pessoas na UE", disse Modi, acrescentando que o pacto "representa cerca de 25% do PIB global e um terço do comércio mundial".

Os líderes da UE, que foram convidados de honra no desfile do Dia da República da Índia nesta segunda-feira, reuniram-se com Modi nesta terça-feira para o anúncio.

Ambos os lados negociavam esse acordo comercial há quase duas décadas, e sua conclusão foi acelerada pela guerra tarifária iniciada pelo presidente dos EUA, Donald Trump.

As negociações continuaram até o último minuto na segunda-feira, focando em questões controversas, como o impacto da tarifa da UE sobre o aço, de acordo com fontes próximas às negociações.

Redução de tarifas

A UE considera a Índia, o país mais populoso do mundo, um mercado-chave para o futuro.

Já Nova Déli vê o bloco europeu como uma importante fonte de tecnologia e investimentos, tão necessários para melhorar rapidamente sua infraestrutura e criar milhões de novos empregos.

A Índia, que deve se tornar a quarta maior economia do mundo este ano, e a UE comercializaram bens no valor de 120 bilhões de euros e serviços no valor de 60 bilhões de euros em 2024, de acordo com estatísticas europeias.

Nos termos do acordo, espera-se que a Índia facilite o acesso ao mercado de produtos europeus importantes, como automóveis e vinho, em troca de obter facilidades para exportação de têxteis e produtos farmacêuticos, entre outros.

O pacto visa eliminar ou reduzir as tarifas sobre 96,6% das exportações de bens da UE, uma abertura que economizará às empresas europeias cerca de 4 bilhões de euros anuais em tarifas e permitirá que elas dobrem suas exportações de bens para o gigante asiático até 2032.

Em contrapartida, a UE reduzirá as tarifas sobre 99,5% dos produtos importados da Índia ao longo de sete anos. Caso o Parlamento Europeu ratifique o novo acordo comercial, a assinatura formal do documento está prevista para o fim deste ano.

Benefícios para a UE

As tarifas indianas sobre 30% dos bens comercializados com a UE serão zeradas imediatamente.

As tarifas indianas sobre veículos importados da UE cairão de 110% para 10% ao longo de cinco anos, para uma cota anual de 250 mil veículos, provavelmente beneficiando Volkswagen, BMW, Mercedes-Benz e Renault.

Porém, os carros da UE com preço inferior a 15 mil euros estão excluídos do acordo. Os carros acima desse limite estão divididos em três segmentos, cada um com cotas e tarifas separadas. As tarifas da maioria dos carros serão reduzidas para 30% a 35% no lançamento do acordo, diminuindo gradualmente até 10%.

No entanto, os veículos elétricos serão excluídos das reduções de impostos de importação durante os primeiros cinco anos, a fim de proteger os investimentos dos fabricantes indianos de carros elétricos.

Depois disso, as importações da UE serão limitadas a 160 mil veículos com motor de combustão interna e 90 mil veículos elétricos por ano.

A Índia vai eliminar completamente as tarifas sobre a maioria das importações industriais da UE, incluindo máquinas e equipamentos elétricos (atualmente em 44%), produtos químicos (até 22%) e produtos farmacêuticos (11%).

Benefícios para os indianos

No lançamento do acordo, a UE eliminará todas as tarifas sobre 90% dos produtos indianos.

A Índia manterá os setores automotivo e agrícola fora da eliminação total das tarifas.

As tarifas serão reduzidas a zero para as principais exportações indianas para a UE, incluindo produtos marinhos (atualmente em até 26%), produtos químicos (12,8%), plásticos/borracha (6,5%) e couro/calçados. (17%), têxteis (12%), vestuário (4%), metais básicos (10%) e joias e pedras preciosas (4%), entre outros.

Agricultura

As tarifas indianas sobre as exportações agroalimentares da UE, que tinham taxas médias superiores a 36%, foram reduzidas ou eliminadas.

Os cortes são acentuados nas tarifas sobre vinhos, bebidas alcoólicas destiladas, cerveja, azeite, alimentos processados ​​e algumas frutas da UE.

As taxas indianas sobre vinhos premium cairão gradualmente de 150% para entre 20% e 30%, com a taxa no primeiro ano em 75%. Para bebidas alcoólicas destiladas, a taxa cairá de até 150% para 40% ao longo de sete anos e, para o gim, ao longo de dez anos.

Carne bovina, arroz, açúcar, laticínios e aves estão fora do acordo. As regras de segurança alimentar da UE permanecem inalteradas, e a cláusula de salvaguarda limita as importações em caso de perturbação do mercado.

as/md (AFP, Efe, Reuters)

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