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Talibã aumenta violência contra jornalistas após tomada de poder no Afeganistão
Talibã aumenta violência contra jornalistas após tomada de poder no AfeganistãoFoto: Rahmat Gul/AP/picture alliance
ConflitosAlemanha

Violência do Talibã atinge jornalistas da DW

Oliver Pieper
20 de agosto de 2021

Islamistas assassinam parente de profissional que trabalha na Alemanha, em caso que expõe repressão à imprensa por parte do grupo que assumiu o poder no Afeganistão. Jornais alemães se unem e pedem ações concretas.

https://www.dw.com/pt-br/viol%C3%AAncia-do-talib%C3%A3-atinge-jornalistas-da-dw/a-58913927

Militantes do Talibã, que tinham como alvo um jornalista da DW, assassinaram um membro de sua família e deixaram outro gravemente ferido. Os islamistas vasculhavam casa a casa em busca do profissional, que trabalha atualmente na Alemanha. Outros membros da família do jornalista conseguiram escapar no último minuto e estão em fuga.

O diretor-geral da Deutsche Welle, Peter Limbourg, condenou com veemência o ataque à família do jornalista e pediu que governo alemão tome alguma atitude. "O assassinato de um parente próximo de um de nossos editores pelo Talibã é uma tragédia inconcebível e exemplifica o grave perigo no qual todos os profissionais e suas famílias no Afeganistão se encontram", alertou.

"Está claro que o Talibã já realiza buscas sistemáticas por jornalistas, tanto em Cabul quanto nas províncias. Nosso tempo está se esgotando!", sublinhou Limbourg.

De fato, os eventos dos últimos dias e semanas deixam isso bem claro. O Talibã vasculhou as casas de ao menos três jornalistas da DW. Acredita-se que Nematullah Hemat, da emissora privada de televisão Ghargasht TV, tenha sido sequestrado pelos islamistas. Segundo fontes oficiais, Toofan Omar, diretor da rádio Paktia Ghag, foi morto a tiros por combatentes do grupo.

O tradutor Amdadullah Hamdard, um colaborador frequente do jornal alemão Die Zeit, foi morto em 2 de agosto em plena rua por dois homens, aparentemente, militantes do Talibã.

Há um mês, o renomado fotojornalista indiano Danish Siddiqui, vencedor do prêmio Pulitzer, foi morto em Kandahar, segundo informações, por tiros disparados por talibãs.

Aliança da imprensa alemã pede ajuda do governo

A DW se uniu  a diversas entidades de imprensa – a Associação Federal de Editoras de Jornais da Alemanha (BDZV), os jornais Die Zeit, Süddeutsche Zeitung, Frankfurter Allgemeine Zeitung e Taz; as revistas Der Spiegel e Stern, a Deutschland Radio, a agência de notícias DPA, as emissoras RTL, N-tv e Arte e a ONG Repórteres sem Fronteiras (RSF) – que enviaram uma carta aberta ao governo alemão, exigindo a elaboração de um programa de vistos de emergência para os profissionais afegãos.

A Associação de Jornalistas da Alemanha (DJV) pediu que o governo alemão adote ações imediatas, uma vez que os colaboradores que trabalham para a imprensa ocidental estão sendo caçados.

Homenagem com velas e flores e uma grande fotografia do fotojornalista indiano Danish Siddiqui, morto no Afeganistão
Homenagem ao fotojornalista indiano Danish Siddiqui, morto no AfeganistãoFoto: Prabin Ranabhat/SOPA Images/ZUMA/picture alliance

"A Alemanha não pode ficar de braços cruzados enquanto nossos colegas são perseguidos e assassinados", afirma o presidente da DJV, Frank Überall. Ele alerta que resgatar imediatamente esses jornalistas e lhes oferecer abrigo na Alemanha é absolutamente fundamental.

Em sua primeira conferência de imprensa, o porta-voz do Talibã Zabihullah Mujahid tentou assegurar a comunidade internacional ao utilizar um tom conciliador e insistir que as mulheres poderão trabalhar e estudar.

"Perdoamos a todos, o que é do melhor interesse para a paz e estabilidade no Afeganistão. Todos os grupos que nos confrontam estão perdoados”, afirmou.Os islamistas, entretanto, já deixaram claro o quanto essas declarações valem, de fato.

A RSF pediu ao Conselho de Segurança da ONU que realize uma sessão especial para avaliar a perigosa situação dos jornalistas no Afeganistão,

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