Violência étnica e racismo dividem Moscou | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 22.12.2010
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Mundo

Violência étnica e racismo dividem Moscou

Depois que um torcedor de futebol russo foi assassinado por caucasianos do sul da Rússia, uma onda de violência étnica vem dividindo Moscou. A tensão racial na capital do país não é, contudo, um fenômeno recente.

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Morte de Sviridov desencadeou violência

A última escalada da violência entre ultranacionalistas russos e caucasianos aconteceu no 4 de dezembro último, quando um torcedor do time Spartak Moscou foi baleado na cabeça durante uma briga com um cidadão oriundo do Cáucaso, região habitada principalmente por muçulmanos no sul da Rússia.

Cinco pessoas foram detidas no âmbito das investigações, sob suspeita de envolvimento no assassinato, mas quatro delas foram liberadas logo a seguir, o que incitou os conflitos étnicos existentes em Moscou. Há duas semanas, os ataques a minorias vêm acontecendo com regularidade na cidade.

Durante o último fim de semana, aproximadamente 1.300 manifestantes foram detidos em Moscou, como forma de prevenir uma escalada ainda maior da violência. Muitos entre os detidos são ainda bastante jovens, em idade escolar.

Problema antigo

Enquanto o assassinato do torcedor de futebol Yegor Sviridov parece ter desencadeado os recentes conflitos em Moscou e nos arredores da cidade, a tensão étnica, em si, não é um fenômeno novo na Rússia.

Ataques xenófobos vêm acontecendo no país há vários anos. Yevgeni Volk, da Fundação Yeltsin, de Moscou, observa que o governo está perdendo as rédeas em relação aos ultranacionalistas: "Está absolutamente claro que as forças ultranacionalistas, que foram explicitamente apoiadas pelo governo durante vários anos, como contrapartida à oposição democrática, realmente aumentaram sua influência no país".

NO FLASH Russland Protest Polizei Gewalt

Polícia russa tenta conter manifestantes

Segundo ele, "agora parece que o governo perdeu o controle sobre essas forças xenófobas radicais na Rússia. Acredito que esse seja um fenômeno realmente muito perigoso, que pode acabar se voltando contra as próprias autoridades".

Marionetes e manipuladores

Para alguns observadores, o aspecto mais notável em relação aos jovens ultranacionalistas é o pensamento e o planejamento latentes em suas manifestações. Ao acompanhar as detenções durante o fim de semana, Anatoli Kucherena, advogado e membro da Câmara Pública Russa, afirmou à Deutsche Welle que não havia dúvidas de que os protestos haviam sido orquestrados.

"Com certeza, há alguém por trás disso. Tem gente manipulando esses jovens como marionetes e dizendo a eles para irem às ruas lutar", afirma Kucherena. Kantemir Hurtayev, líder do Congresso Russo dos Povos Caucasianos, concorda com a ideia de que alguém está dando as cartas nos bastidores das manifestações.

Festnahmen in Moskau

Moscou: torcedor detido

"Reunir cerca de cinco mil manifestantes na Praça Manege, em Moscou, não é fácil. Apenas 30 pessoas apareceram para protestar contra a xenofobia na mídia e contra o nacionalismo em geral. Estou convencido de que foi feito muito trabalho anteriormente, a fim de mobilizar esses jovens e instaurar esse caos. Eles talvez não façam ideia do que acontece, mas são discípulos de um provocador", diz Hurtayev à Deutsche Welle.

Falta de estratégia coerente

Há quem diga que a habilidade de auto-organização dos nacionalistas só deixa a fragilidade do governo mais aparente. A polícia pode afastar rapidamente centenas de manifestantes potencialmente violentos quando estes se reúnem para protestar, mas críticos argumentam que isso não ajuda no combate do problema do racismo a longo prazo.

"Penso que a estratégia do Kremlin é muito fraca e não suficientemente eficaz", diz à Deutsche Welle Alexander Rahr, do Conselho Alemão de Relações Exteriores. "Muitas palavras e poucas ações reais", completa.

Rahr acrescenta que a frustração na Rússia em relação ao agravamento dos problemas sociais e econômicos, bem como a sensação de desamparo da classe baixa em relação à impossibilidade de mudar as coisas, transforma-se em agressão. "Isso agora está sendo direcionado para os migrantes, que acabam levando a culpa por todas as deficiências dos sistemas econômico e social", analisa Rahr.

Novas manifestações planejadas

O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, defende uma "resposta severa" à violência, mas enquetes recentes mostram que os moscovitas estão cada vez mais preocupados com o número de russos "não étnicos" na cidade.

Ao mesmo tempo, uma onda de retórica antinacionalista emergiu na internet russa, dividindo a sociedade em dois campos opostos. Sob o slogan "Abaixo o Cáucaso", outro encontro nacionalista em massa está marcado para o dia 25 de dezembro.

Autores: Anya Ardayeva / Jegor Winogradow (sv)
Revisão: Carlos Albuquerque

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