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Engarrafamento em Kiev
Foto: Oleksandr Savytskyi/DW
ConflitosUcrânia

Vida em Kiev volta a ter um pouco de normalidade

Alexander Sawizkij
6 de abril de 2022

Após a retirada de tropas russas do entorno da cidade, refugiados retornam para a capital ucraniana. Lojas e restaurantes reabrem as portas.

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Desde o início de abril, Kiev parece estar visivelmente se recuperando. Muitos moradores que deixaram a capital ucraniana com o início dos bombardeios russos no final de fevereiro estão voltando para suas casas, apesar dos alertas do governo local de que a ameaça militar ainda não passou.

Os ucranianos circulam novamente pelas ruas da cidade. Lojas, cafés, restaurantes e salões de beleza voltaram a abrir suas portas. As escolas devem também retornar as aulas, que inicialmente serão remotas para 90% dos alunos, segundo as autoridades.

No início de abril, as tropas russas se retiram da região de Kiev. Agora são esperados ataques no oeste e sul do país.

Apesar de tudo, segundo uma pesquisa de um instituto de Kiev, 79% dos refugiados ucranianos desejam voltar para sua terra natal. Todos os dias centenas de ucranianos retornaram para a capital, de acordo com uma organização que ajudou a evacuar os moradores de cidade.

Entre eles está Andrij, de 40 anos, que chegou na estação central nesta terça-feira (05/04) num ônibus lotado que partiu de Rivne. Ele contou que estava na Polônia, para onde havia levado a esposa e seus dois filhos, de quatro e seis anos, quando começaram os bombardeios. "Gostaria de ter voltado imediatamente para ir para a guerra, mas tive que trabalhar um tempo na fazenda onde minha família estava para garantir o sustento deles".

Mas ainda nesta manhã, novas explosões foram registradas no noroeste da capital. Nada, porém, assusta aqueles que retornam. "As pessoas acompanham as notícias e sabem que especialistas buscam por minas em Bucha e outros subúrbios. Depois que eles viram o que os russos fizeram lá, quiseram voltar imediatamente. Nossa casa em Kiev permaneceu intacta, e agora, para mim, é hora de pegar em armas ou ajudar na reconstrução", diz Andrij. Sua esposa também sente falta do país e deseja voltar o mais rápido possível, apesar de todas as dificuldades.

Transporte público operando novamente

Andrij está feliz de não precisar ter que pagar um táxi para voltar para a casa. Desde terça-feira, as estações centrais do metrô foram totalmente reabertas. Transformadas em abrigos antiaéreos, elas foram desativadas neste período. Segundo a cidade, 150 ônibus e 30 trens voltaram a circular em Kiev. Os táxis operam com as tarifas de antes da guerra.

Mais carros também estão circulando na cidade, resultando nos engarrafamentos habituais. Agora, porém, eles se foram nos pontos de controle nas pontes sobre o rio Dnipro, onde os documentos de veículos e passageiros são verificados.

Clientes em café em Kiev
Clientes voltam a encher cafés em KievFoto: Oleksandr Savytskyi/DW

As prateleiras vazias dos supermercados voltaram a ser enchidas com produtos no final de março. Já as compras em massas para fazer estoque diminuíram. Mas em vez de produtos internacionais, que nos primeiros dias da guerra chegaram com os comboios humanitários, elas estão ocupadas com mercadorias produzidas no país – de doces, passando por carne e derivados do leite. Todos os dias as autoridades anunciam onde estão ocorrendo feiras direto do campo que vendem batata e os legumes da tradicional sopa de beterraba, o borsch.

Para os agricultores, o caminho até a cidade é exaustivo. "Devido aos engarrafamentos nas pontes e nos postos de controle, leva duas horas para atravessar o rio", conta um produtor rural que possui uma banca no centro da capital.

Na semana passada, ainda antes da retirada das tropas russas da região de Kiev, os alarmes de alerta a bombardeios diminuíram, assim como o som de tiros devido a combates. Apenas moradores de alguns subúrbios continuaram ouvindo muitos tiros, mas devido a exercícios realizados em uma floresta pela Defesa Territorial de Kiev.

Fim das restrições

Muitos pequenos empreendedores também voltaram a trabalhar. Segundo autoridades, mais de 760 mercearias, 400 restaurantes e 440 postos de gasolina reabriram desde o início de abril. Em uma estação de metrô no centro, usada como abrigo subterrâneo, uma cozinha foi montada onde ficava um antigo restaurante tailandês. Nela são preparadas refeições quentes para os integrantes da Defesa Territorial de Kiev e pessoas que se abrigam no local. "Nosso recorde foi 510 refeições em um dia. Cozinhamos borsch, sopas e mingau. Agricultores da região fornecem os ingredientes", conta a cozinheira Kateryna.

Ao lado da cozinha, foi aberto um café. "Recebemos até 50 clientes por dia, que vem por causa do nosso café e também do nosso aconchegante jardim. Percebemos que as pessoas estão voltando para a cidade, cada dia recebemos mais clientes, mas a concorrência também está aumentando. Todo dia um novo café é aberto", diz a gerente Oleksandra.

Ali perto, o estacionamento de um dos supermercados mais caros de Kiev está lotado. Todas as mesas de um restaurante próximo estão ocupadas e os clientes bebem bebidas alcoólicas, cujas vendas foram proibidas por mais de um mês com a lei marcial imposta no país.

Os moradores de Kiev também estão felizes com a reabertura de salões de beleza. Uma cabelereira do centro da cidade conta que está com a agenda lotada até o início de maio. "Sem horário, estamos atendendo apenas a soldados e homens que se apresentaram ao serviço militar. Eles não podem esperar", diz Olena.