Venezuela vai às urnas para eleger 23 governadores | Notícias sobre a América Latina e as relações bilaterais | DW | 15.10.2017
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América Latina

Venezuela vai às urnas para eleger 23 governadores

Após protestos que deixaram ao menos 120 mortos e um país dividido, governo e oposição se enfrentam nas urnas em meio a grave crise e denúncias de fraude. Oposicionistas querem eleger de 15 a 18 governadores.

Após cinco meses de protestos que deixaram um saldo de pelo menos 120 mortos e um país dividido, a oposição e o governo da Venezuela voltam a se enfrentar neste domingo (15/10), desta vez nas urnas. Dezoito milhões de eleitores foram convocados para escolher governadores em 23 estados, em meio a uma grave crise econômica e social e denúncias de fraude.

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Os partidos de oposição, que compõem a frente Mesa de Unidade Democrática (MUD), têm acusado o governo de lançar mão de qualquer artifício para garantir a própria vitória, mesmo quando as pesquisas de opinião indicam que o presidente Nicolás Maduro tem índice de rejeição em torno de 85%. Como exemplo, a oposição menciona seus líderes, que foram presos ou impedidos de se candidatar, e até a transferência, de última hora, de centros de votação.

Segundo o governo, a mudança, que afeta mais de 700 mil eleitores, foi necessária por motivos de segurança. Mas o governador de Miranda, Enrique Capriles, que se opõe a Maduro, afirma que foi uma manobra para confundir o eleitor nos lugares onde a oposição é forte – como no estado dele. "É normal que, faltando 48 horas para a votação, 224 mil eleitores de Miranda sejam transferidos de um centro para o outro?", perguntou Capriles.

Maduro pediu neste domingo que todos os eleitores fossem "votar com muita consciência" para "consolidar a paz". "Todos nós vamos votar com consciência. A Assembleia Nacional Constituinte convocou esta primeira eleição com seu poder plenipotenciário", afirmou o presidente em  discurso transmitido pelo canal de televisão estatal VTV. O órgão legislativo é rechaçado pela oposição venezuelana e por mais de 40 países.

Ele enfatizou ainda que esta é a 22ª eleição celebrada pelo país desde a chamada "revolução bolivariana", em 1999. "Devemos mostrar que somos um país democrático. Dizem que somos uma ditadura: não, somos um povo democrático, rebelde, com um sentido igualitário, de honra e de liberdade", acrescentou.

As eleições regionais deveriam ter sido realizadas no ano passado. Alinhado com o Executivo, o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) havia suspendido a votação sem maiores explicações em 18 de outubro de 2016 e, há apenas um mês, em 11 de outubro deste ano, anunciou que o pleito seria realizado neste domingo. 

Opositores querem eleger de 15 a 18 governadores

Apesar de temer que haja manipulação e fraude, a MUD decidiu participar do pleito, apostando numa vitória como a de 2015, quando elegeu a maioria parlamentar pela primeira vez em 18 anos de governos chavistas. Ha três anos, a Venezuela já sentia os efeitos da crise, agravada pela queda no preço do petróleo, principal produto de exportação do país.

Sem recursos suficientes para importar remédios, alimentos e produtos de primeira necessidade, o país enfrenta desabastecimento, inflação anual superior a 600% em 2017, e queda de 12% do Produto Interno Bruto (PIB). Maduro foi incapaz de solucionar tais problemas, inexistentes no período de fartura petroleira do governo de seu padrinho político, Hugo Chávez (1999-2013). Mesmo assim, Maduro está decidido a concluir o mandato, em 2018, e disputar a reeleição ou tentar fazer o sucessor. 

Atualmente, o governo federal controla 20 dos 23 estados. Para a oposição, o descontentamento dos venezuelanos com a crise vai se refletir nas urnas, desde que consiga convencer pelo menos 60% do eleitorado a votar. Neste caso, a expectativa dos opositores é eleger entre 15 e 18 governadores.

Mesmo que o resultado seja favorável à oposição, não há garantia de que a situação na Venezuela vá mudar. O Congresso, de maioria opositora, nunca pôde legislar. Suas decisões foram anuladas pela Suprema Corte até a posse, em agosto, da Assembleia Nacional Constituinte, que assumiu os poderes legislativos. E os constituintes são todos governistas, até porque a oposição não participou da eleição por considerá-la fraudulenta.

O vice-presidente do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), Diosdado Cabello, um dos homens fortes do governo, já afirmou que os governadores eleitos neste domingo só poderão assumir depois de serem aprovados pela Assembleia Nacional Constituinte. Na campanha, Maduro pediu aos venezuelanos que votem pela continuação da "revolução boliviariana" iniciada por Chávez e contra a ingerência externa.

Os EUA, a União Europeia, o Brasil e outros países da região têm condenado Maduro por considerar que ele avançou sobre o Judiciário e o Legislativo e que na Venezuela não há mais poderes independentes.

FC/abr/dw/efe/afp/lusa

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