Ultradireitista AfD perde apoio após atentado em sinagoga | Notícias sobre política, economia e sociedade da Alemanha | DW | 12.10.2019
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Alemanha

Ultradireitista AfD perde apoio após atentado em sinagoga

Ataque em Halle, que deixou dois mortos, já afetou os índices de aprovação de sigla associada a posições xenófobas e antissemitas. Em meio a acusações de políticos, AfD se distancia do ato terrorista e contra-ataca.

Cartaz cortado pela metade do partido AFD

Em enquete, não eleitores da AfD confirmam seu papel na radicalização da sociedade

O mortal atentado antissemita da última quinta-feira (09/10), na cidade de Halle, no Leste alemão, comprometeu os índices de aprovação do partido populista direita Alternativa para a Alemanha (AfD), mostrou uma sondagem das emissoras alemãs RTL e N-TV.

O apoio à legenda caiu dois pontos percentuais em dois dias, de 13% na quarta-feira, antes das notícias do ataque à sinagoga, para 11% na sexta-feira. Talvez mais surpreendente do que a perda de apoio popular, porém, foi o fato de 90% dos consultados que não votam na AfD terem concordado com a formulação: "Como resultado de suas posições e escolha de palavras, a AfD prepara o caminho para atos de violência de extrema direita."

Além disso, 76% dos não eleitores da sigla ultranacionalista se disseram preocupados que ideologias ultradireitistas e xenofobia estejam se tornando perigosamente aceitáveis na sociedade.

Membros da liderança da AfD têm estado associados a declarações e incidentes antissemíticos. O partido abertamente anti-imigração e anti-islâmico foi alvo de severas críticas tanto antes quanto depois do tiroteio em que um extremista de direita matou duas pessoas e feriu outras duas na casa de prece israelita.

Pouco antes da tragédia, o ministro alemão do Interior, Horst Seehofer, acusara a AfD de incitar ódio, atribuindo a seus políticos a tentativa de cometer "incendiarismo intelectual" no discurso público. Após o atentado, deputados de todas as facções depositaram parte da culpa na AfD, afirmando que sua retórica tornara posições ultradireitistas mais socialmente aceitáveis na Alemanha, promovendo, assim, a radicalização de mais cidadãos.

Michael Roth, candidato à liderança do Partido Social-Democrata (SPD), declarou neste sábado ao jornal Die Welt que "o braço político do terrorismo de direita se encontra no Parlamento alemão, e ele se chama AfD".

A sigla, por sua vez, acusa os demais grupos políticos de instrumentalizarem o ocorrido em Halle para ganhar pontos contra ela. Num comunicado à imprensa, a líder Alice Weidel afirmou que a AfD "condena o ataque e se coloca do lado dos concidadãos judaicos".

"Rejeitamos as tentativas de instrumentalização de [...] políticos que querem acusar a AfD de 'cumplicidade' no ato de terrorismo de Halle. Todo aquele que abuse deste horrendo crime para caluniar a concorrência política com difamação sem base, está dividindo a sociedade e enfraquecendo a fundação democrática que nos sustenta", contra-atacou Weidel.

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