UE apoia Reino Unido no caso Skripal, mas evita culpar Rússia | Notícias internacionais e análises | DW | 19.03.2018
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Mundo

UE apoia Reino Unido no caso Skripal, mas evita culpar Rússia

Ministros do Exterior declaram solidariedade com governo britânico, mas não afirmam claramente que Moscou é responsável pelo envenenamento de ex-espião russo. Grécia teria defendido formulação mais cautelosa.

Ministro britânico do Exterior, Boris Johnson

Ministro britânico do Exterior, Boris Johnson: "Rússia esconde a agulha da verdade num palheiro de mentiras e confusão"

A União Europeia (UE) declarou "solidariedade incondicional" ao Reino Unido no caso do ex-espião Serguei Skripal, de acordo com uma declaração aprovada nesta segunda-feira (19/03) numa reunião de ministros do Exterior do bloco, realizada em Bruxelas, mas não chegou a um consenso sobre se a Rússia é responsável pelo envenenamento.

Segundo o texto, a UE leva "muito a sério" as conclusões do Reino Unido de que a Rússia muito provavelmente é responsável pelo ataque e exige um rápido esclarecimento do caso. A formulação cautelosa seria o resultado de objeções da Grécia. Na quinta-feira passada, os governos de Alemanha, Estados Unidos e França fizeram uma declaração muito mais dura, apoiando a tese britânica de que não há outra explicação plausível.

O ministro grego do Exterior, Nikos Kotzias, teria defendido o enfraquecimento da declaração, segundo um diplomata citado pela agência de notícias AFP, enquanto "a grande maioria" teria sido a favor de um texto mais duro. O governo de esquerda em Atenas reiteradas vezes defendeu na UE um abrandamento das sanções a Moscou no âmbito do conflito na Ucrânia.

Skripal, de 66 anos, e sua filha Yulia, de 33, continuam hospitalizados em estado crítico, após terem sido encontrados inconscientes no dia 4 de março, no banco de um parque na cidade de Salisbury, no sul da Inglaterra. O Reino Unido afirma que eles foram envenenados com o agente nervoso Novichok, desenvolvido pela extinta União Soviética.

Na declaração da UE aprovada nesta segunda-feira os ministros apenas ressaltam que a Rússia deve responder todas as questões sobre o caso e que apoiam os esforços do Reino Unido para encontrar e julgar os culpados.

"Negativa cada vez mais absurda"

O ministro britânico do Exterior, Boris Johnson, qualificou nesta segunda-feira de "cada vez mais absurda" a negação da Rússia sobre sua responsabilidade no ataque ao ex-espião russo em Salisbury e afirmou que o país "já não pode enganar ninguém".

"O povo pode ver que esta é a clássica estratégia russa de tentar esconder a agulha da verdade num palheiro de mentiras e confusão", afirmou Johnson ao chegar à reunião dos ministros do Exterior.

Ele acrescentou que a versão das autoridades russas variou entre nunca ter fabricado o Novichok (tipo de agente nervoso supostamente usado no ataque), tê-lo fabricado, mas posteriormente destruído todas as reservas ou que algumas amostras "escaparam misteriosamente" para a Eslováquia, Suécia, República Tcheca e EUA.

"Doze anos depois do assassinato de Alexander Litvinenko, já não podem enganar mais ninguém", afirmou em referência ao ex-agente da KGB morto em 2006 após ingerir chá contaminado com polônio radiativo, um crime que contou, segundo uma investigação, com a aprovação do presidente russo, Vladimir Putin.

Johnson disse se sentir comovido pelo apoio que o Reino Unido recebeu no UE e apontou que "não há quase nenhum país em torno da mesa, aqui em Bruxelas, que não tenha sido afetado recentemente por algum tipo de comportamento maligno e prejudicial por parte da Rússia".

O ministro confirmou que uma equipe de técnicos da Organização para a Proibição das Armas Químicas chegará nesta segunda-feira ao Reino Unido para recolher amostras no local onde o ex-espião russo e sua filha foram encontrados inconscientes.

MD/efe/dpa/afp

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